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Pão francês passa de herói a vilão

No primeiro ano do Plano Real, em julho de 1994, o pão francês foi escolhido como símbolo da estabilidade da moeda. Àquela época, a Padaria Real, em Brasília, vendia o produto por R$ 0,07 e foi escolhida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para a promover a moeda. Dois anos depois, o estabelecimento foi à falência, e hoje as demais padarias precisam cobrar até R$ 0,30 pelo pãozinho para sobreviverem.Apesar da trajetória de herói a vilão, caberia melhor ao pão francês, pão de sal ou ainda cassetinho, de acordo com a região do País, o papel de vítima, garante o presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de São Paulo (Sindipan), Frederico Maia. "Ainda não temos um número absoluto, mas já percebemos a queda na demanda pelo pão", afirma.Os consumidores confirmam o temor dos padeiros: "Adoro pães, e sempre acabo comprando mais guloseimas quando venho à padaria, mas reduzi esse tipo de compra de três para uma por semana", conta a terapeuta Tânia de Carvalho Pinto. A padaria mais próxima de sua casa, na Avenida Sumaré, já cobra R$ 0,30 por unidade.Segundo o presidente do Sindipan, a alta do preço do pão, desde o início do ano, já chegou a 35%. E vale ressaltar que o porcentual leva em conta um preço médio de R$ 0,23, que não se acha em qualquer padaria.O principal insumo do pãozinho, a farinha de trigo, aumentou mais de 200% este ano, conta Maia, explicando que a alta se deve tanto à desvalorização do real frente ao dólar quanto ao encarecimento da commodity no mercado internacional. Além disso, subiram os custos com gás, energia elétrica e embalagens.Diante de tantos aumentos, o pão francês tornou-se, mais uma vez, um símbolo. "Está tudo caro, e a visita à padaria que me faz lembrar disso todo o dia", diz o engenheiro civil David Viviani.

Agencia Estado,

21 de novembro de 2002 | 08h06

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