Argentinian Presidency/AFP
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Papa dá sapatinho 'barrado' a Cristina

Presente para neto não é mais vendido na Argentina

Cleide Silva e Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2013 | 02h07

Os sapatinhos brancos que a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, recebeu do papa Francisco no domingo, um agrado pelo nascimento do seu neto, não são vendidos naquele país em razão de barreiras comerciais. A empresa Pimpolho, com duas fábricas no Espírito Santo, deixou de exportar ao mercado argentino há cerca de quatro anos.

"Houve uma sequência de situações ligadas ao protecionismo do mercado local que nos levou a suspender as vendas", diz o diretor comercial da Pimpolho, Ricardo Brito. Antes disso, a Argentina era o maior mercado externo da marca.

Brito afirma que a empresa já estudava voltar à Argentina, decisão que pode ser antecipada depois da escolha do papa. Ontem mesmo ele foi procurado por uma empresa local que quer representar a marca. "Ficamos sabendo do presente dado pelo papa pela internet e ficamos felizes e orgulhos."

A Pimpolho é uma empresa familiar fundada em 1962. É especializada em calçados para crianças com até 3 anos e emprega mais de mil funcionários. Produz 20 mil pares por dia, dos quais 4% são exportados para 40 localidades, entre as quais Europa e Oriente Médio, mas especialmente América do Sul.

 

No início do ano, o governo argentino suspendeu as barreiras para a entrada de calçados brasileiros com a revogação das licenças não automáticas. Após a medida, as exportações cresceram 30%, com um total de US$ 56,4 milhões no primeiro semestre, ante US$ 43,3 milhões em igual período de 2012, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

No ano passado, as exportações do setor ao mercado argentino somaram US$ 149 milhões, 21% a menos em relação a 2011. Segundo a Abicalçados, muitas indústrias brasileiras que exportavam para o país desistiram da operação nos últimos anos.

O neto da presidente da Argentina nasceu há duas semanas e se chama Néstor Ivan Kirchner, em homenagem ao avô, falecido em 2010. O sapatinho que o bebê ganhou custa cerca de R$ 60.

Ontem, a Pimpolho divulgou nota sugerindo que o mimo seja usado no batizado do bebê. Brito ressalta, contudo, que não pretende usar o episódio como mote para campanhas publicitárias.

Idea. Outra fabricante brasileira que tira proveito da exposição que o papa teve no Brasil é a Fiat, que cedeu o modelo Idea com o qual ele circulou pelo Rio.

A montadora informa que vai manter o carro no acervo, para ser exposto em um futuro museu. Aproveitou para postar em sua página no Facebook foto do Idea no céu, com a frase: "Boa Idea, Francisco".

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