Papéis de transição ficam esquecidos pela bolsa

O processo de fusões e aquisições de empresas nacionais fez surgir na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) papéis específicos para o período de transição das operações. Embora tivessem caráter provisório, alguns seguem listados até hoje e, com a queda nos negócios, acabaram esquecidos pelo mercado. Um deles está com os dias contados.O principal exemplo é o Recibo Representativo da Carteira de Telebrás (RCTB), criado em agosto de 1998, que corresponde às ações das 12 empresas do Sistema Telebrás. O superintendente de operações da Bovespa, Ricardo Nogueira, lembra que o RCTB já foi uma das "blue chips" da Bolsa."Era um dos papéis mais negociados do mercado. Aos poucos, a liquidez foi transferida para as ações das 12 operadoras", conta. "Hoje quase ninguém mais negocia o recibo." Outro papel abandonado pelo mercado é o Recibo de Carteira da Cesp (RCES), que surgiu em julho de 1999, em decorrência da cisão da Cesp, que deu origem à Geração Tietê (atual AES Tietê), Geração Paranapanema (atual Duke Energy) e Transmissão Paulista.Nogueira afirmou que, ao contrário do RCTB, o RCES nunca chegou a ter liquidez expressiva. "O papel não pegou por causa do processo de privatização das empresas." A Geração Tietê foi comprada pela AES e a Paranapanema, pela Duke.Segundo o superintendente, a Bovespa estuda a possibilidade de extinguir o Recibo de Cesp até o fim do ano. "Como a AES e a Duke fizeram um fechamento branco do capital das empresas, tornou-se quase impossível formar o recibo", afirmou, referindo-se à queda drástica no número de ações dessas companhias disponíveis no mercado, após ofertas de compras feitas pelos controladores. No caso do RCTB, porém, não há prazo para o recibo desaparecer.Mesmo sem o caráter provisório dos recibos de Telebrás e Cesp, o Brazilian Depositary Receipt (BDR) da espanhola Telefónica acabou exercendo função semelhante. Ele foi usado como opção de troca na oferta pública de compra de ações da Telesp e da Tele Sudeste Celular, em junho de 2000.Na época, o consenso dos analistas apontava para a troca de ações, visto que os papéis das operadoras brasileiras perderiam liquidez. Mas o risco de apostar em uma empresa estrangeira, considerada de difícil acompanhamento, levou os investidores a venderem mais tarde os BDRs. Com o fim da restrição para os fundos de pensão investirem em empresas estrangeiras, no entanto, os BDRs da Telefónica podem ter uma sobrevida.

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