Papel de petroleira causa 'efeito dominó' no grupo EBX

Razão para a queda é a interdependência dos negócios: a OSX, por exemplo, tem a petroleira como principal cliente

VINICIUS NEDER / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2012 | 03h08

O tombo de 25% nas ações da OGX Petróleo levaram a reboque as demais empresas abertas do grupo EBX, de Eike Batista. Também despencaram no pregão de ontem as ações ordinárias (ON, com direito a voto) do estaleiro OSX (14,07%, a R$ 10,32), da MPX Energia (7,93%, a R$ 30,42), da LLX Logística (9,13%, a R$ 2,19), da MMX Mineração (6,79%, a R$ 6,04) e da CCX Carvão (5,77%, a R$ 4,57).

Há duas razões principais para a queda de empresas de setores tão diferentes. Em primeiro lugar, algumas das companhias do grupo são interdependentes. O estaleiro OSX, por exemplo, foi criado para ter a OGX Petróleo como principal cliente. A perspectiva de uma produção mais modesta da petroleira impacta diretamente na demanda.

É por isso que as empresas com negócios menos ligados à OGX, como a mineradora MMX e a produtora da carvão na Colômbia CCX, registraram as menores quedas na Bolsa entre as empresas do grupo.

O outro motivo que justifica a desvalorização das demais empresas do grupo é uma questão de confiança e comunicação com o mercado, na avaliação de Hersz Ferman, sócio da gestora carioca Yield Capital. "Apesar de uma campanha de exploração excelente, que está sendo bem-sucedida, a OGX, principalmente, sempre vem a mercado com números que não consegue entregar", afirmou Ferman.

Como muitas das empresas do Grupo EBX, incluindo a OGX, são pré-operacionais, a formação do preço das ações pelo mercado depende bastante de previsões e expectativas.

Ferman lembrou que movimento semelhante ocorreu em 2011, quando a OGX divulgou relatório da consultoria D&M com levantamento sobre o volume de recursos potenciais da companhia, apontando um total de recursos contingentes inferior ao esperado pelo mercado. No pregão seguinte, as ações caíram 17,25%. Para ele, o mercado extrapola a desconfiança em relação às expectativas divulgadas pela OGX para as demais empresas do grupo, já que o controlador é o mesmo.

Em nota, a EBX disse que "segue firme no seu plano de investimentos de US$ 15,7 bilhões em dois anos". "As companhias do grupo estão capitalizadas, com recursos suficientes para garantir a execução dos projetos estruturantes desenvolvidos no País. Todas as empresas do Grupo EBX vêm cumprindo seus planos de negócios e geram 20 mil postos de trabalho nos empreendimentos em operação e construção."

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