Papel de protagonista do G-20 não tem volta, diz Meirelles

Para ele, demanda de países emergentes por incremento de 7% em cotas no FMI é 'o mínimo necessário'

Reuters

19 de setembro de 2009 | 09h46

A solução para os desequilíbrios globais está nas mãos principalmente dos Estados Unidos e da China, avaliou na sexta-feira, 18, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.  

 

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A uma semana da cúpula de chefes de Estado do G-20, em Pittsburgh, onde esses desequilíbrios serão discutidos, Meirelles afirmou que o papel de protagonista obtido pelo grupo no cenário mundial, em detrimento do G7, "não terá volta".

"Está muito claro hoje para todos os países envolvidos que a economia mundial não será discutida de uma forma eficaz e medidas eficazes não serão tomadas no âmbito apenas do G7", afirmou.

O governo dos Estados Unidos já afirmou que pretende obter na reunião dos líderes do G-20, em Pittsburgh, um acordo em torno de parâmetros e processos que contribuam para evitar os desequilíbrios que provocaram a crise global.

"Esse reequilíbrio certamente só pode ser feito por movimento das duas partes. Isto é, um aumento da poupança americana e um aumento do consumo chinês", disse.

Meirelles também afirmou que a demanda dos países emergentes por um incremento de 7% em suas cotas no Fundo Monetário Internacional (FMI) é "o mínimo necessário", e o papel de protagonista obtido pelo G-20 no cenário mundial, em detrimento do G-7, "não terá volta".

O G-7 é formado pelos sete países mais industrializados do mundo. Com o agravamento da crise, o G-20, grupo mais abrangente que também reúne economias emergentes, incluindo o Brasil, ganhou relevância no cenário internacional.

Meirelles descartou ainda mudanças "dramáticas e radicais" na composição das reservas brasileiras no curto prazo e afirmou que o sistema bancário brasileiro tende a ser pouco afetado por regras de regulação globais mais duras em discussão. Isso porque as normas prudenciais no Brasil já são, em geral, mais rígidas que no resto do mundo.

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