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Para 90% dos gestores, Brasil será rebaixado em pelo menos duas agências de risco

Pesquisa do Bank of America Merrill Lynch revela que o País é o que tem mais probabilidade de virar 'junk' entre os emergentes

Altamiro Silva Júnior, correspondente, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2015 | 02h02

NOVA YORK - Uma pesquisa do Bank of America Merrill Lynch com gestores internacionais que aplicam em países emergentes mostrou que 90% deles acreditam que o Brasil vai perder o grau de investimento em pelo menos duas agências de classificação de risco. Outra conclusão do levantamento é que a China ultrapassou o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) como maior risco para esses mercados.

Entre os emergentes que estão com economias mais deterioradas, o Brasil é o que mostra maior probabilidade de ser classificado no grau especulativo, ou "junk" (lixo, na expressão usada pelo mercado financeiro), por ao menos duas agências nos próximos dois anos, de acordo com o BoFA. Para a Turquia, 60% dos entrevistados pelo banco americano acreditam que o país pode ser rebaixada por duas agências; na África do Sul, o porcentual é de 40% e, para a Indonésia, é de 10%.

O BoFA já fez a mesma pesquisa em outros meses, mas a pergunta sobre a perda de grau de investimento era em "ao menos uma agência". O Brasil também liderava as apostas dos gestores em períodos anteriores, quando comparado a outros emergentes. Em julho, cerca de 65% dos entrevistados acreditavam que o País iria perder o selo; em fevereiro, eram 70%. Como o Brasil já perdeu a classificação este mês pela Standard & Poor's (S&P), a pergunta foi alterada agora para "ao menos duas agências". Na Moody's, um novo rebaixamento colocaria o Brasil no grau especulativo. Na Fitch, o Brasil está a dois níveis de perder o grau de investimento.

A perda do selo do grau de investimento por ao menos duas agências de classificação de risco é um complicador adicional para a economia de um país. A razão é que muitos dos grandes investidores internacionais, como fundos de pensão e seguradoras, só investem em países que tenham selo de bom pagador em ao menos duas das três principais agências de rating. Assim, esses fundos são obrigados a retirar recursos do mercado com o rebaixamento e não podem fazer novas aplicações.

O Bank of America Merrill Lynch realizou a pesquisa entre os últimos dias 14 a 16 e ouviu gestores com US$ 320 bilhões alocados em emergentes.

Um pouso forçado da economia da China é considerado o principal risco para os emergentes, ultrapassando a alta de juros pelo Fed, segundo a pesquisa. Outro risco para esses mercados que aparece entre os três maiores é a queda do preço do petróleo. Para a maioria dos entrevistados na pesquisa (60%), o Fed deve elevar os juros em dezembro.

Ceticismo. Um relatório do Instituto Internacional de Finanças (IIF), formado pelos maiores bancos do mundo, divulgado ontem em Washington também aponta um cenário nebuloso para o Brasil. O IIF vê com ceticismo as negociações da equipe econômica no Congresso para aprovar o pacote de austeridade fiscal do governo. O mais provável é que a situação das contas públicas continue se deteriorando, o que aumenta a chances de novos rebaixamentos do rating soberano brasileiro, segundo o relatório.

"Em meio a altos riscos de execução, a um enfraquecimento da economia e às condições políticas tóxicas, acreditamos que a situação fiscal provavelmente vai continuar se deteriorando nos próximos meses", afirma o documento. Com isso, cresce o risco de futuros rebaixamentos do rating soberano do Brasil, elevando também a chance de o País perder o grau de investimento de uma segunda agência de rating.

O IIF destaca que foi após perder o grau de investimento pela S&P que o governo Dilma tentou agir e anunciou um pacote de medidas fiscais, incluindo cortes de gastos e alta de tributos. "Apesar das boas intenções da proposta do pacote, permanecemos céticos sobre se o governo terá capital político para conseguir apoio para o ajuste com um Congresso hostil."60% dos entrevistados pelo BoFA acreditam que a Turquia pode ser rebaixada por duas agências. 40% é a possibilidade de duplo rebaixamento da África do Sul."

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