Para a AB InBev, pode ser Pepsi

Para a AB InBev, pode ser Pepsi

Dona da Ambev teria cogitado fusão com a rival

O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2014 | 02h06

Nenhuma outra companhia de bebidas gastou tanto com aquisição como a AB InBev. Foram US$ 90 bilhões em negócios nos últimos dez anos. A maioria das especulações sobre o próximo movimento na gigante de cerveja se concentrou na segunda maior cervejaria do setor, a SABMiller. Mas a PepsiCo também apareceu nesta lista. Segundo fontes, a empresa teria considerado fortemente uma fusão com a fabricante de refrigerantes e salgadinhos. Mas não há negociações em curso, nem um acordo iminente.

A cultura da AB InBev "é de fazer grandes negócios", disse Richard Withagen, analista da Kepler Cheuvreux. "Parece evidente que haverá um próximo passo, porque esse não é o tipo de empresa que vai apenas gerir o negócio."

Uma compra do controle da SABMiller seria "tediosa", disse Sachin Shah, analista de fusões da Albert Fried. As autoridades reguladoras provavelmente exigiriam desinvestimentos, e a economia de custos de uma combinação não se traduziria em aumento de valor para os acionistas.

AB InBev e PepsiCo se conhecem bem, disse a fonte, citando parcerias de engarrafamento na América Latina. Os negócios com refrigerantes e salgadinhos são atraentes em meio a um encolhimento do lucro no universo da cerveja. Uma das motivações para a compra seriam os potenciais benefícios de custo e receita de se vender cerveja e refrigerantes pelo mesmo sistema de distribuição. Os donos da AB InBev, entre eles o brasileiro Jorge Paulo Lemann, poderiam melhorar a rentabilidade PepsiCo como fizeram com a Anheuser-Busch. "De uma perspectiva estratégica, não me parece uma loucura", disse o analista Ali Dibadj, da Sanford Bernstein & Co.

Comprar o controle da PepsiCo traria mais ganhos à AB InBev do que a aquisição da SABMiller, diz Withagen. A SABMiller tem uma valorização superior à da PepsiCo e menos espaço para melhorar as margens de lucro.

Ian Shackleton, um analista da Nomura Holdings Inc, diz que o cenário mais provável seria a 3G Capital comprar a Coca-Cola junto com o bilionário Warren Buffett, o maior acionista da fabricante de refrigerantes e sócio da 3G Capital compra da Heinz no ano passado. O sistema de distribuição da Coca-Cola é do mundo entre empresas de bens de consumo. Buffett disse em junho que não havia a menor chance de uma compra da Coca-Cola.

O maior obstáculo para que a AB InBev se aventure fora do negócio cervejeiro é que, simplesmente, ela está muito confortável nesse setor. "As oportunidades de continuar na consolidação em cervejaria ainda são muito grandes", disse Philip Gorham, um analista da Morningstar Inc. "É com outras cervejarias que eles conseguirão mais economia de custos."

Apesar de uma compra do controle da Heineken adicionar outra marca forte à lista de cervejas da AB InBev, parece improvável que a família fundadora da companhia esteja disposta a vendê-la depois de ter rejeitado uma oferta da SABMiller e dito que quer se manter independente. A marca Guinness da Diageo oferece outra possibilidade que colocaria a AB InBev no mercado de cerveja africano, onde ela tem uma presença pequena.

A diferença de opiniões reforça o argumento de que a gigante das cervejas deve ao menos considerar novos grandes negócios. "Esses rapazes são extremamente empreendedores", disse Shackleton, da Nomura. "Será que eles têm um dossiê sobre a Pepsi? Tenho certeza que sim. Será que têm um da Coca-Cola? Com certeza. Terão um da SABMiller? É claro que sim. Com o preço certo, tudo interessa." / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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