Para a Cisco, vídeo é a próxima onda

Empresa lançou equipamento capaz de suportar um bilhão de videochamadas simultâneas

Marili Ribeiro, Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

23 de março de 2010 | 00h00

O holandês Wim Elfrink ocupa o cargo de diretor de Globalização da americana Cisco, maior fabricante global de equipamentos de comunicação de dados. Há quatro anos ele se mudou para Bangalore, Índia, para acompanhar de perto o que acontece no que chama de "mercados de hipercrescimento". Esta semana, está no Brasil, outro desses mercados em expansão acelerada.

"A próxima grande onda é o vídeo", disse Elfrink, que participou ontem de um almoço na sede do Grupo ABC, do publicitário Nizan Guanaes, em São Paulo. Ele explicou que a explosão do vídeo via internet permitirá uma série de novas aplicações em áreas como teletrabalho, telemedicina e tele-educação, que podem revolucionar mercados de hipercrescimento como a Índia e o Brasil.

No começo do mês, a Cisco lançou um roteador (equipamento responsável pelo tráfego em redes com tecnologia da internet) chamado CRS-3, capaz de suportar 1 bilhão de videochamadas simultâneas. "Há sete anos, quando lançamos um roteador que suportava 1 bilhão de chamadas de voz, muita gente achou que não haveria necessidade para ele", afirmou o diretor da Cisco. "Hoje, com o crescimento do mercado celular, ninguém mais faria essa pergunta." O CRS-3 tem velocidade de 322 terabits por segundo, o que equivale a 161 milhões de conexões convencionais de banda larga.

"Num mercado como a Índia, temos de partir do que as pessoas conseguem pagar para formatarmos os serviços", explicou Elfrink. "Para levarmos educação para todos, será preciso oferecer mensalidades de US$ 1 por mês. Isso não será possível sem tecnologia." Ele acrescentou que a beleza de um mercado de 1,1 bilhão de pessoas como a Índia está no retorno proporcionado pela escala. Um produto com o preço certo pode atender centenas de milhões de pessoas.

Projeto. A Cisco participa do projeto de Nova Songdo, na Coreia do Sul, uma cidade planejada como um centro de negócios internacional de US$ 35 bilhões, localizada a 65 quilômetros da capital Seul, com tecnologia de ponta e conceitos internacionais de sustentabilidade. O Brasil poderia ter um projeto similar, se houvesse disposição de investidores.

A Cisco está interessada em se aproximar de municípios brasileiros. Elfrink tem reuniões marcadas com os prefeitos de São Paulo e do Rio de Janeiro, para falar sobre o uso da tecnologia.

Em 2006, ele e a família ? esposa, três filhos e dois cachorros ? deixaram a Califórnia e foram para Bangalore. E os cães não estranharam? "Eles estão muito felizes", garantiu o executivo.

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