Para a Fitch, Brasil precisa de ajustes econômicos

Agência de classificação de risco diz que incerteza aumentou após o 'embaralhamento' da corrida presidencial

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2014 | 02h05

A flexibilidade de política econômica no Brasil está "claramente" ficando menor, em meio ao crescimento fraco, inflação alta, piora das contas públicas e baixa confiança de empresários e consumidores, disse ontem ao 'Broadcast', serviço em tempo real da 'Agência Estado'. A diretora para a América Latina da agência de classificação de risco Fitch, Shelly Shetty. Por isso, ajustes macroeconômicos são essenciais para aumentar o investimento e o consumo privado.

A diretora reconheceu que a incerteza sobre os rumos do Brasil aumentou nas últimas semanas, por causa do embaralhamento da corrida presidencial após a morte do candidato Eduardo Campos (PSB). "As eleições no Brasil significam que ajustes na política econômica estão na gaveta no momento", disse Shelly. Mas, para eventuais mudanças no rating soberano do Brasil, é sobretudo o que vai ocorrer após a corrida presidencial que é relevante e vai ser avaliado de perto.

"Temos de monitorar os ajustes na política, sobretudo aqueles que melhorem a consistência da política econômica, ajudando a aumentar a confiança dos agentes", disse a diretora da Fitch, ressaltando que é preciso ainda ancorar melhor as expectativas de inflação. "No geral, políticas que ajudem o Brasil a se mover para fora desse ambiente de baixo crescimento e inflação elevada", acrescentou, destacando que dificilmente essas mudanças serão feitas "sem dor".

O governo de Dilma Rousseff, disse ela, fez alguns ajustes, como a elevação nos juros, mas muito mais ainda precisa ser feito e a agenda de reformas precisar ser retomada.

No lado fiscal, a diretora destacou que o interesse é grande para conhecer a política e objetivos fiscais do próximo presidente, pois isso dará uma ideia da trajetória das contas do governo nos próximos anos.

A Fitch vai monitorar de perto como o novo governo pretende ajustar os números que vêm se deteriorando nos últimos meses. O mais importante, afirmou, é que esse ajuste não seja baseado em mudanças de uma única vez nas receitas do governo, como tem sido comum na atual administração.

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