Para a OCDE, Brasil cresce só 1,5%

Previsão para o crescimento da economia brasileira é revista para menos da metade dos 3,2% projetados em maio deste ano

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 02h07

A Organização para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE), alertou ontem que o Brasil será o país com o menor crescimento entre o grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e demais países emergentes, encerrando o ano de 2012 com uma expansão de apenas 1,5%, desempenho bem abaixo da média mundial, de 2,9%.

A entidade estima que o Brasil concluirá o ano com uma expansão de apenas 1,5%, menos da metade que previa há seis meses (3,2%). A taxa coloca o Brasil no grupo de economias com um padrão de crescimento similar ao dos países europeus em crise e distante dos emergentes em expansão.

Só a Índia sofreu uma revisão mais acentuada de sua previsão de crescimento entre as 40 economias avaliadas pela OCDE. A entidade, porém, estima que o período de fraco crescimento pode ter terminado e que, com os estímulos implementados pelo governo, o Brasil terá uma expansão de 4% em 2013. Só cinco países terão um desempenho melhor que a economia nacional. Mesmo assim, a projeção foi ajustada para baixo em comparação à previsão publicada em maio deste ano.

A avaliação anual da OCDE divulgada ontem derrubou bolsas pelo mundo diante da constatação de que a situação mundial continua a se deteriorar em grande parte por causa da crise na Europa. Para a OCDE, está claro que o fator externo pesou de forma decisiva no desempenho do Brasil.

BRICs. Os principais países emergentes sentiram o freio na economia mundial, mas nenhum sofreu tanto impacto como o Brasil. Na China, o crescimento do PIB será de 7,5%, contra 4,4% na Índia e 3,4% na Rússia. No caso da África do Sul, a expansão será de 2,6%.

O tombo das economias europeias teria tirado 0,2% do crescimento brasileiro no primeiro semestre do ano. Isso por causa da queda nas exportações. Na Rússia, a crise europeia tirou 0,7% do PIB, contra 0,5% na India e na China.

"O cenário externo é o maior obstáculo para um crescimento mais rápido do Brasil", avalia a OCDE. Se nos últimos anos as exportações colaboraram para a expansão do PIB, em 2012 esse não foi o caso. Em 2011, o déficit da balança comercial do Brasil incluindo o setor de serviços foi de US$ 18 bilhões. Neste ano, o buraco deve ser de US$ 31 bilhões. Já em 2013, o déficit poderia chegar a US$ 32 bilhões.

Retomada. Apesar da desaceleração atual, a OCDE estima que os efeitos dos estímulos fiscais e monetários adotados pelo governo estão "gradualmente tirando a economia da tendência de baixo crescimento".

O segundo semestre teria sido melhor diante dos efeitos cada vez mais visíveis dessas medidas. "O período de crescimento fraco parece ter acabado, com a ajuda dos estímulos", indicou.

Na avaliação da entidade, a demanda doméstica deve ajudar a compensar o ambiente internacional ainda turbulento.

O desemprego continuaria a taxas baixas e o consumo vai continuar 'sólido'. Já a inflação deve cair de 6,6% para 5,3% em 2013, ajudada pela queda nos preços de energia.

Para a OCDE, a recuperação irá começar por setores que foram alvo das medidas de estimulo do governo, mas depois será mais abrangente, em parte graças aos benefícios na área tributária, como os descontos de IPI.

Outro ponto que pode ajudar na recuperação é o real desvalorizado, dando maior competitividade para as exportações.

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