Para a OCDE, Brasil deve aumentar os juros

Sugestão está em relatório semestral divulgado ontem pela organização, que prevê uma inflação de 6,6% no País este ano e de 5,1% em 2012

, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

PARIS

O Brasil deveria aumentar os juros para prevenir altas nas expectativas inflacionárias, recomenda a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em relatório sobre previsões da economia mundial divulgado ontem em Paris.

Para a organização, os gastos maciços em infraestrutura no Brasil permitirão alimentar um crescimento interno sólido nos próximos anos. "Em razão disso, tensões inflacionárias poderão ocorrer em um contexto marcado por um mercado de trabalho aquecido e pela dissipação dos efeitos de valorização da moeda", diz o relatório "Perspectivas Econômicas da OCDE".

A organização prevê que a inflação no Brasil será de 6,6% neste ano e de 5,1% em 2012. O relatório afirma que o Banco Central retomou a política de aperto monetário, adotando diversas medidas para limitar a expansão do crédito. "No entanto, novos aumentos nas taxas de juros são necessários para prevenir qualquer desancoramento das expectativas de inflação."

Em 2011, a economia brasileira deverá crescer 4,1%, segundo a OCDE. Em 2012, o PIB deverá aumentar 4,5%. "O anúncio de que os cortes nos gastos públicos vão poupar programas sociais e de infraestrutura é bem-vindo. Mas teria maior credibilidade se fosse acompanhado de plano a médio prazo de controle orçamentário que favoreceria o crescimento", diz a entidade.

O estudo diz ainda que "as economias emergentes devem prestar atenção aos riscos de grande aquecimento de suas economias, que agravam as tensões inflacionárias". Diz também que a retomada do crescimento mundial "está no caminho, mas permanece rodeada de incertezas".

O PIB mundial deverá aumentar 4,2% neste ano e 4,6% em 2012. Nos EUA, o crescimento deverá ser de 2,6% e de 3,1%. No Japão, a economia pode encolher 0,9% em 2011 e crescer 2,2% em 2012. Já o PIB chinês, deverá aumentar 9% este ano e 9,2% no próximo. A OCDE ressalta que há riscos de deterioração das previsões, decorrentes da possibilidade de novos aumentos dos preços do petróleo e das matérias-primas. A recuperação da economia mundial também poderia ser abalada por uma desaceleração mais acentuada da China.

A situação orçamentária instável dos EUA e do Japão e a vulnerabilidade de países da zona do euro também podem afetar as previsões. /BBC BRASIL

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