Para a Siemens, recuperação da economia mundial ''acabou''

"A recuperação da economia mundial acabou." Foi assim que o presidente da Siemens, Peter Loscher, anunciou ontem o resultado financeiro de sua empresa, que decepcionou o mercado. A gigante alemã foi apenas uma das multinacionais que, ao revelar suas contas ontem, demonstrou na prática que o freio na retomada já atinge o setor produtivo nos países ricos. Para compensar, as multinacionais não escondem que a estratégia é a de focar vendas nos emergentes, como o Brasil, para evitar novas demissões e prejuízos.

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2011 | 00h00

"Temos a Europa em uma crise da dívida e debates nos EUA, volatilidade de preços de commodities e uma situação política também volátil", disse Loscher. Ele admite que os mercados emergentes continuam crescendo. Mas alerta que essa expansão pode não ser suficiente. No Brasil, empresa alemã pretende investir US$ 600 milhões até 2016 e não esconde que são as vendas ao mercado nacional que têm ajudado as contas da multinacional. China e Índia também estão entre os principais mercados que continuam crescendo.

Nem isso garante um futuro mais estável, segundo a empresa. "A Siemens continua a operar com força nos mercados. Mas vemos uma desaceleração no crescimento", disse. A empresa registrou queda de 47% no lucro nos últimos três meses, para 763 milhões. A previsão do mercado era de lucro de 1 bilhão.

Os problemas não se limitam à Siemens. Sua concorrente, a ABB, havia também registrado queda no lucro há poucos dias. Ontem, a Basf, Alcatel-Lucent, Vallourec e outras empresas revelaram resultados abaixo do esperado, levando as bolsas europeias a quedas importantes.

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