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Para a Vale, crise é correção de rota

Gigante global em mineração, empresa acha que abalo do mercado não chegará fortemente à economia real

Irany Tereza e Nicola Pamplona, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2020 | 00h00

O movimento atual do mercado é uma correção de rota que não terá longa duração, na avaliação do diretor financeiro da Companhia Vale do Rio Doce, Fábio Barbosa. Em entrevista ao Estado na sexta-feira, o executivo mostrou-se relativamente tranqüilo em relação à crise financeira que esta semana chegou ao ápice mas que, na sua opinião, não chegará tão fortemente à ''''economia real''''. Ele admite, contudo, que ainda espera por conseqüências de segunda ordem.''''Está havendo um ajuste natural de correção de exageros. O cenário no mercado financeiro era de uma liquidez muito forte. E, em casos assim, é natural haver distorções na alocação de ativos. A crise está ocorrendo nitidamente sob a ótica financeira, sem impacto na economia real. Paralelamente a isso, o mundo continua a crescer. Depois de tudo, é claro que vai haver também um ajuste de correção. Não é razoável achar que a economia real vai ficar a mesma coisa. Mas, não haverá estagnação'''', diz Barbosa.Maior exportadora líquida brasileira (com maior saldo na relação entre vendas e compras externas), a Vale do Rio Doce é uma gigante global em mineração, a terceira do ranking mundial.A empresa está nos dois extremos da balança em meio à situação econômica atual: tem receita em dólar, o que eleva os ganhos com a alta da moeda americana. Mas também tem endividamento dolarizado, ou seja, perde do outro lado.Negocia minérios, mas seu principal produto, o minério de ferro, segue os contratos de longo prazo não estando sujeito às oscilações imediatas de preço. Mas as negociações podem acabar refletindo as turbulências de mercado.Barbosa não fala em perspectiva de preços, mas também não aparenta preocupação maior em relação à queda generalizada no preços das commodities internacionais verificadas ao longo das duas últimas semanas. ''''Vou falar de forma conceitual: o que está havendo é ajuste de curto prazo. A demanda continua forte e a oferta de produtos da indústria de mineração ainda é restrita no mundo'''', comenta, lembrando que a China já responde por 8% do crescimento mundial.O executivo reconhece o risco que pode representar uma eventual retração no consumo nos Estados Unidos, quadro que chegou a ser rascunhado na semana passada. ''''A reestruturação deve afetar o crescimento do consumo americano e talvez até a intenção de investimentos. Será um ajuste um pouco doloroso, mas certamente vinculado a uma correção de despesas para mitigar o efeito negativo. A longo prazo, a perspectiva ainda é de crescimento da economia mundial'''', aposta.VISÃO OTIMISTAEm conversa com investidores na sexta-feira, o vice-presidente de finanças da Braskem, Carlos Fadigas, mostra também uma visão otimista em relação à crise, afirmando que a companhia não será prejudicada pela turbulência nos mercados financeiros.Pelo contrário, diz, a alta do dólar e a queda do preço do petróleo podem ser benéficas às contas da empresa nos próximos meses. No segundo trimestre de 2007, cenário totalmente adverso nos mercados cambiais e de petróleo reduziu a geração de caixa da companhia em R$ 454 milhões, na comparação com o mesmo período do ano anterior.O balanço do último trimestre mostra que os efeitos negativos do dólar baixo pela receita foram maiores do que o benefício causado nos custos em real. Além disso, a nafta, que representa 75% dos custos com matérias-primas, atingiu a cotação recorde de US$ 670 por tonelada no último trimestre.A empresa espera que, com a crise nos mercados, o custo do derivado do petróleo recue. De fato, a cotação do petróleo, que baliza os preços dos combustíveis, caiu quase 10% desde o início do mês.Já com a desvalorização do real, a expectativa é de aumento na receita com as exportações, que representam 27% do faturamento da companhia. Os preços dos produtos vendidos no mercado interno também podem sofrer variações, ainda que em menor escala, uma vez que são cotados segundo o mercado internacional.Fadigas ressalta ainda que a companhia não tem necessidade de recorrer ao mercado de capitais, já que obteve recentemente um empréstimo-ponte para o pagamento dos ativos da Ipiranga, adquiridos em conjunto com Petrobrás e Braskem.

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