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Para Acesita, protecionismo americano fere liberdade de comércio

Apesar de não ter impacto direto nas exportações da Acesita, as restrições norte-americanas às importações de aço afetam indiretamente as vendas da empresa. O diretor de negócios da siderúrgica, Sérgio Mendes, explica que o protecionismo dos Estados Unidos fere a liberdade de comércio do grupo."Não temos vendas significativas para o país, mas poderíamos ter se não houvesse tantas restrições", afirma. Segundo o executivo, desde 1999 a empresa adota uma política de controle para as exportações direcionadas aos Estados Unidos."Tomamos o cuidado de não exportar mais de 3% do volume total comprado pelo país, justamente para não correr o risco de sermos enquadrados em nenhum processo anti-dumping ou salvaguardas, na maioria das vezes bastante custosos", conta.Segundo Mendes, os aços inox planos, carro-chefe da Acesita, ficaram fora do pacote de restrições ancoradas pela 201 mas outros produtos do mix de fabricação da empresa foram afetados, como os laminados a quente e os aços siliciosos de grão não-orientado. "A sobretaxa de 30% torna inviável qualquer venda", avalia.Conforme o diretor, apesar de os Estados Unidos importarem 300 mil toneladas de aços inoxidáveis por ano, as vendas anuais da Acesita para o país não passaram de 20 mil toneladas desde 1999. "Não temos um histórico de exportação significante, mas poderíamos ter", destaca.Demanda internaSegundo o executivo, o crescimento da demanda brasileira por aços siliciosos compensa o fechamento do mercado norte-americano. Esse tipo de produto é utilizado principalmente pela indústria de transformadores de força, transformadores de transmissão e em motores e geradores de energia, setor bastante aquecido no Brasil. "Até reduzimos nossa exportação por conta do aumento da demanda no mercado interno", afirma.A empresa, com capacidade para produzir até 150 mil toneladas de aços siliciosos, já pensa até em investir para aumentar sua produção. "Estamos estudando essa alternativa, mas se aprovada, só deve ocorrer em 2005", conta. Para elevar sua capacidade para 190 mil toneladas anuais, a empresa terá de desembolsar em torno de US$ 20 milhões", conta.AdiamentoDepois de uma série de ajustes, reformas e instalação de novos equipamentos, a Acesita quer retomar sua vocação e recuperar ainda neste ano o volume de vendas externas de 2000. A meta é vender 133 mil toneladas ou equivalente a 18% das suas vendas totais no exterior - no ano passado, os embarques da empresa encolheram 15,1%, para 118 mil toneladas.De acordo com o diretor de negócios da siderúrgica, Sérgio Mendes, a meta ainda não reflete o potencial da empresa. Segundo o executivo, a série de reformas promovidas no ano passado fará de 2002 um ano atípico. "Nos primeiros seis meses do ano estaremos em uma curva de aprendizado e só no segundo semestre alcançaremos a produtividade prevista", explica.Os investimentos feitos no ano passado foram empregados na reforma do alto-forno 2, na mudança do convertedor da aciaria no repotenciamento e modernização dos fornos elétricos e na instalação de um novo (o terceiro) forno de reaquecimento de placas, entre outros.Os ajustes na Acesita não foram mais intensos porque a empresa adiou alguns investimentos. Estava prevista para o final deste mês a conclusão de um ciclo de investimentos de US$ 100 milhões. Com a decisão, a nova linha de recozimento e decapagem, que permitirá o crescimento das vendas de laminados a frio, só deve ser implantada entre este ano e o próximo. "Só não a fizemos para não sobrecarregar a rotina da usina com reformas", explica o executivo.Novo cicloO executivo destaca ainda que as mudanças realizadas e previstas até 2003 encerram o ciclo de grandes investimentos na siderúrgica. "A partir de agora, realizaremos apenas investimentos de manutenção e pequenas melhorias, concentrando-se na redução da nossa dívida", afirma.O diretor de negócios atribui o desempenho das exportações no ano passado aos investimentos. "Demos prioridade ao mercado brasileiro e preservamos os mercados internacionais estratégicos." Além dos estoques, a empresa foi obrigada a importar 24 mil toneladas de laminados a quente para atender sem prejuízo o mercado brasileiro.EstratégiaA retomada das exportações faz parte da estratégia de atuação do grupo Arcelor no mundo e que coloca a Acesita no time de frente dos negócios do grupo para a área de inox. Um mercado praticamente garantido para a controlada brasileira é o tailandês, onde o grupo mantém uma relaminadora com capacidade para processar 180 mil toneladas. "O Brasil é competitivo a ponto de se firmar como supridor de outras unidades do grupo", afirma Mendes.O executivo explica que, por conta da formação da Arcelor, as exportações da Acesita para a Europa deverão crescer significativamente nos próximos anos, mas o mercado asiático continuará sendo o principal cliente externo da siderúrgica. "A China é um mercado em pleno crescimento e grande importador de inoxidáveis", ressalta.No ano passado, o principal destino das exportações da Acesita foram os países da Ásia, com 15% de participação, seguido pela Europa, com 6%, e Estados Unidos e Canadá, com 5%. A América Latina absorveu 4% das vendas da empresa, seguido pelo Oriente Médio, com 3%.ParalisaçãoAinda dentro da concentração do foco da empresa na área de inoxidáveis, a Acesita vai paralisar, a partir de 1º de junho, as operações da linha de não-planos, com capacidade de 150 mil toneladas de barras por ano. "Todos esses investimentos não alteram a capacidade de produção de aço bruto, mantida em 850 mil toneladas, mas concentra nossa produção em aços de maior valor agregado, enriquecendo nosso mix", ressalta Mendes.

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