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Para além da crise

No enfrentamento da crise mundial, foram adotadas no País inúmeras medidas anticíclicas que se revelaram de efetivo retorno econômico e social. Sua implementação produziu impactos positivos sobre a demanda interna em inúmeros setores da cadeia industrial, do comércio e dos serviços, reduzindo e até mesmo neutralizando, em alguns casos, o potencial destrutivo desta crise sobre o emprego, a renda e a expectativa dos consumidores.Numa economia de fundamentos estáveis, com ascensão de novos consumidores ao mercado, temos uma dimensão da força de nosso mercado interno efetiva, real, que estimula a produção, as vendas e o investimento. De riqueza potencial para um mundo de carne e osso - aço e borracha, no caso automotivo.Na indústria automobilística, a resposta dos consumidores à redução da carga tributária produz efeitos imediatos sobre a demanda. Entre dezembro de 2008 e junho de 2009, estima-se que foram licenciados cerca de 300 mil veículos a mais do que teria ocorrido sem as medidas adotadas, promovendo demanda adicional e maior geração de tributos diretos e outros incidentes na cadeia de produção. Isso mostra ser possível transformar, mesmo com medidas pontuais de curto prazo, refinados cálculos de elasticidade-preço em atividade econômica real, se adotadas ações concretas estruturadas para o aquecimento do mercado interno, hoje o único capaz de responder mais prontamente aos estímulos à demanda.Mas há que se pensar além da crise. Há um redesenho da economia e dos eixos de influência mundiais, pelo que a decisão de investimento futuro poderá ser profundamente alterada. A volta dos mercados internacionais para a exportação de manufaturados encontrará jogadores tradicionais repaginados ou mesmo novos "players" disputando um jogo mais acirrado, com novas regras, pelo consumidor. Nossos mercados importadores sofrerão ataques mais severos desses competidores, pois, com a queda da demanda mundial, há capacidade ociosa de produção e busca de mercados para escoá-la. Numa segunda fase, essa competição poderá dar-se inclusive em nosso mercado interno, dada a sua atratividade.Um grande desafio para o País, especialmente para a indústria, é a superação de limitações ao crescimento das exportações, hoje já afetadas pelo encolhimento dos mercados mundiais de manufaturados e pela valorização do real. Isso nos obriga a olhar para além da crise. Que indústria queremos? Em quais mercados queremos estar presentes? Queremos um modelo exportador? Que produtos? Em que extensão de cadeia produtiva?Vale, então, um esforço para identificar cadeias produtivas que possam fazer diferença em relação à geração de riqueza e energia econômica, se estruturadas num modelo exportador complementar ao consumo interno. Em quais segmentos podemos, com vantagens comparativas da economia brasileira, ter consolidadas as condições para a exportação de produtos com maior valor agregado? Adicionar etapas de industrialização significa vender melhor, por mais, com maior produção, inclusive com novos empregos.O País tem se modernizado e crescido na sua capacidade de atrair investimentos. Mas impõe-se, cada vez mais, a revisão dos instrumentos de fortalecimento das exportações que nos possibilitem, de forma progressiva, a ampliação da pauta industrial exportadora e a defesa de nossa presença no mundo dos manufaturados. Isso consolidaria naturalmente a competitividade dos produtos "made in Brazil", inclusive no mercado interno. A produtividade é determinante para isso e advém das condições de logística, de inovação tecnológica, design, desoneração tributária da cadeia exportadora, marcas, desburocratização, redução do custo portuário e simplificação de procedimentos alfandegários, por meio do necessário mapeamento de cadeias produtivas para identificar gargalos e ineficiências, enfrentando-os. É prioritário transformar esse objetivo em ideia-força, pois serão de todos os benefícios finais dos efeitos multiplicadores das exportações industriais: mais empregos, maior renda nacional, incorporação de novas tecnologias e efetiva inserção internacional.Relembro Antônio Delfim Netto, que, quando ministro da Economia, no contexto da realidade econômica da época, afirmava: "Exportar é a solução." Hoje, com consciência da atual força de nosso mercado interno, atrevo-me a acrescentar: "Exportar consolidará a solução." *Jackson Schneider, presidente da Anfavea, é vice-presidente de Recursos Humanos, Relações Jurídicas & Institucionais da Mercedes-Benz

Jackson Schneider*, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

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