Para Alemanha, pacto acalmaria mercados, diz Monti

O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, afirmou hoje que a Alemanha acreditava que o pacto fiscal anunciado na semana passada, durante a reunião de cúpula da União Europeia, seria suficiente para acalmar os mercados financeiros. Mas ele destacou que essa visão não era compartilhada por todos os países do bloco.

ÁLVARO CAMPOS, Agencia Estado

14 de dezembro de 2011 | 09h09

Segundo Monti, um rigor fiscal mais sustentável é "essencial" e as promessas feitas por 26 membros da UE devem impulsionar a credibilidade nas finanças públicas na região. Entretanto, ele deixou claro que acredita que mais acordos serão necessários, especialmente um pacto para dividir as obrigações de dívidas.

Ele apontou que apesar da criação de um bônus comum da zona do euro (eurobônus) não ter sido mencionada na declaração final do Conselho Europeu, o assunto foi amplamente discutido na cúpula e houve um acordo de que o tópico deve estar na agenda da próxima reunião dos líderes do bloco, em março.

"O governo italiano insistiu fortemente nos eurobônus, que não são uma forma disfarçada de permitir um relaxamento fiscal, mas vão impulsionar o crescimento", comentou Monti. Segundo ele, dívidas com garantias conjuntas ampliariam os mercados de capital da Europa.

Em um discurso salpicado de críticas à oposição, o primeiro-ministro acrescentou ainda que a decisão da UE de aumentar o tamanho das proteções para impedir que a crise contamine outros países "ficou aquém" de suas expectativas. Mas Monti afirmou que esses esforços são "substanciais", citando o empréstimo de 200 bilhões de euros para o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a decisão de colocar a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês) sob gestão do Banco Central Europeu (BCE).

Monti também elogiou a decisão de anunciar que a participação do setor privado em pacotes de socorro se restringe apenas à Grécia e não se repetirá. Essa postura diverge da opinião expressada anteriormente pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. "Merkel e Sarkozy cometeram um erro, e agora eles sabem que devem realizar discussões preliminares com os outros líderes da UE primeiro", disse o premiê italiano. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
ItáliaAlemanhapacto fiscal

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.