Para Alstom, crise ainda não passou

Grupo diz que encomendas no setor elétrico estão longe de se normalizar

Renée Pereira e Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

15 de setembro de 2009 | 00h00

Os investimentos públicos no setor de infraestrutura para combater os efeitos da crise internacional não conseguiram compensar a retração da iniciativa privada nas encomendas de máquinas e equipamentos. Segundo o presidente da multinacional francesa Alstom, Patrick Kron, apesar de a empresa ter uma carteira de pedidos equivalente a dois anos e meio de atividades, as encomendas estão bem menores que as do ano passado, especialmente por causa da área de energia elétrica. "Pela primeira vez, desde o fim da segunda guerra mundial, o setor de eletricidade terá uma redução na demanda. Isso tem um grande peso nas decisões de investimentos."

O executivo conta que, sem um cenário claro sobre a retomada da economia, a iniciativa privada colocou o pé no freio em relação a novos empreendimentos. Só no primeiro trimestre, o volume de pedidos da Alstom encolheu 27% em relação ao ano passado. O número só não foi pior porque a demanda do setor de transportes continua aquecida por causa dos pacotes de investimentos públicos lançados no mundo inteiro.

No Brasil, a situação não é diferente. Os futuros projetos na área de transportes têm movimentado a indústria de máquinas e equipamentos. No setor elétrico, os efeitos da crise internacional só foram sentidos a partir do segundo trimestre, com recuo de 14% nas encomendas, disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato. "O terceiro trimestre não será diferente. Esperamos recuperação apenas a partir de outubro."

Kron não tem tanta convicção sobre a retomada no volume de pedidos. Para ele, a grande questão é saber até quando a economia ficará nessa lentidão. "Se a crise passar logo, não teremos grandes problemas. Mas, infelizmente, não tenho uma bola de cristal para saber em que momento a economia vai entrar num ciclo positivo."

Integrante da comitiva do presidente francês Nicolas Sarkozy, que visitou o Brasil na semana passada, Kron concedeu a entrevista num dia marcado pelo caos provocado pela chuva na capital paulista. E aproveitou a ocasião para afinar seu discurso a favor da expansão do metrô e também do VLT (transporte sobre trilho com capacidade para 400 pessoas).

Ele contou que uma equipe da Alstom, no Brasil, está encarregada de popularizar o meio de transporte. O primeiro contrato já foi firmado com Brasília, onde será instalado o primeiro VLT da América Latina.

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