Para Amorim, ´tensões fazem parte das dores do crescimento´

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta sexta-feira que as tensões na América do Sul fazem parte "das dores do crescimento". Amorim deu essa declaração pouco depois de o ministro do Exterior da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, que está em viagem ao Brasil, mencionar, no Itamaraty, a preocupação da Europa com a decisão da Bolívia de nacionalizar o setor do gás.Steinmeier ressaltou ainda as indicações de que o Uruguai se retiraria do Mercosul e com a decisão da Venezuela de abandonar a Comunidade Andina de Nações. "Esses sinais não são fáceis de se interpretar, afirmou o ministro alemão. "A decisão (da Bolívia) está também sendo registrada na Europa", acrescentou.Amorim, entretanto, insistiu que os países da América do Sul relacionavam-se anteriormente muito com as nações desenvolvidas e muito pouco com os seus vizinhos. Segundo ele, hoje as relações são mais intensas, o que implica também no surgimento de problemas, dificuldades e "questões delicadas que devem ser resolvidas por meio do diálogo". O ministro destacou que esse processo não foi diferente na Europa e outras nações desenvolvidas e citou o gasoduto que liga a Rússia a Sibéria e que passa pela Ucrânia. Reunião Ainda, segundo Amorim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende aproveitar a Cimeira União Européia-America Latina - que ocorrerá na próxima semana em Viena, Áustria - para realizar uma reunião de líderes das duas regiões sobre a delicada situação da rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em princípio, os primeiros ministros da Alemanha, Angela Merkel, e da Grã-Bretanha, Tony Blair, participarão do encontro. O chanceler brasileiro ressaltou que na conversa que manteve nesta sexta com o ministro do Exterior da Alemanha mais uma vez ressaltou a fórmula necessária para o êxito das negociações da OMC. "Os benefícios têm de ser inversamente proporcionais ao grau de desenvolvimento dos países envolvidos. Já os sacrifícios tem que ser proporcionais", afirmou. "Se não compreendermos essa equação não há como fechar a rodada Doha."Sem indicações O ministro alemão, entretanto, deu poucas indicações, na entrevista, sobre uma possível mudança na proposta agrícola européia nessas negociações. Ele ressaltou que os interesses nessa rodada não são coincidentes e que além das questões sobre a abertura agrícola e a redução de subsídios domésticos há também o vértice sobre o acesso ao mercado industrial e de serviços. "Há três lados envolvidos. Não se trata só de uma discussão sobre tarifas agrícolas, mas de um triângulo", disse.

Agencia Estado,

05 de maio de 2006 | 15h49

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.