Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Para analista, Petrobrás precisa de ‘estratégia’

Indicação de novo presidente para a estatal foi recebida com otimismo e indica um descolamento em relação à gestão durante o governo Dilma Rousseff

Antonio Pita Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2016 | 22h55

O novo comando da Petrobrás – principal foco da crise política no País, à luz da Operação Lava Jato – indica, segundo analistas, um descolamento da empresa e do governo em exercício em relação à gestão da presidente afastada Dilma Rousseff. O mercado reagiu com otimismo à chegada de Pedro Parente, na perspectiva de uma dobradinha com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, na renegociação da dívida da estatal, superior a R$ 400 bilhões.

“Existe uma predisposição do mercado financeiro com os nomes anunciados para a equipe econômica e para a Petrobrás. Se Meirelles chegar no banco para renegociar dívidas, a chance de ter sucesso é enorme”, disse o analista Flávio Conde, da consultoria WhatsCall.

Parente foi elogiado por Conde por conta do seu conhecimento do setor, por ter liderado a equipe de emergência do “apagão”, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Ele é um bom gerente, um executivo de perfil mais tímido. Mas chamá-lo de gerente não é demérito, porque ele é extremamente qualificado para o cargo”, avaliou.

Conde defendeu também a permanência do diretor financeiro da Petrobrás, Ivan Monteiro, para dar continuidade ao processo de venda de ativos.

Na avaliação do professor da UFRJ Edmar de Almeida, os executivos “não deixaram a empresa quebrar”, mas ela precisa avançar na redefinição de uma “estratégia empresarial”.

“Como banqueiro, o presidente Aldemir Bendine fez uma gestão focada no fluxo de caixa, para não deixar a empresa quebrar. A Petrobrás estava em situação parecida com a da Eletrobrás, sem balanço. Foram bem-sucedidos, mas isso não é suficiente”, pontua Almeida, para quem a permanência do executivo não seria “adequada”, uma vez que a estatal foi o “principal foco da crise política e econômica” do governo Dilma Rousseff.

Desafio. Almeida lembra que toda a indústria petrolífera enfrenta o desafio de encontrar um novo modelo de negócio e reduzir custos para se adequar ao contexto de baixas cotações internacionais de petróleo. Nesta quinta-feira, 19, os preços voltaram a cair por causa da valorização do dólar. Também as ações da Petrobrás caíram, entre 3,8% e 4,1%.

Almeida avalia que a estatal precisa de um plano estratégico adaptado às novas condições de mercado. “O novo comando precisa pensar qual vai ser a Petrobrás do futuro.”

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