Para analista, problema foi o gerenciamento de caixa

Mas especialistas descartam que a empresa esteja insolvente; corretora vê ?movimento político? em denúncia

Nicola Pamplona, O Estadao de S.Paulo

29 de novembro de 2008 | 00h00

A dificuldade enfrentada pela Petrobrás para pagamento de impostos em novembro, que tornou necessário o pedido de empréstimo junto a Caixa Econômica Federal (CEF), reflete problemas de gerenciamento de caixa da companhia, na opinião de especialista ouvido pelo Estado."Pagamento de tributos é algo que tem que estar previsto.Tem data marcada e o valor é conhecido, não deve ser surpresa", afirma o economista Gilberto Braga, professor de planejamento e finanças corporativas do Ibmec-RJ.A estatal alegou que teve despesas extras de R$ 11,4 bilhões com impostos e taxas e, por isso, precisou ir ao mercado. O diretor financeiro da companhia, Almir Barbassa, explicou que a operação foi feita com a Caixa Econômica Federal por conta das melhores taxas oferecidas pela instituição. A empresa fechou o terceiro trimestre de 2008 com R$ 10,7 bilhões em caixa, o menor valor desde 2000.Logo após a divulgação do balanço, analistas já apostavam que a companhia teria de voltar ao mercado para cumprir o orçamento de investimentos, diante do baixo nível de recursos em caixa. Segundo um observador próximo, a situação é resultado de uma postura agressiva de gestão de caixa da empresa, que evitou maiores captações nos últimos anos, mesmo tendo que desembolsar altas somas em investimentos e compra de ativos como Ipiranga e Suzano."Eles foram imprudentes? Não dá para dizer, mas certamente apostaram em um cenário que não se confirmou", analisa Braga. Ele cita como exemplo a grande desvalorização do dólar, que teve impactos sobre o lucro líquido e, conseqüentemente, sobre o valor dos impostos devidos.Além disso, o mercado de crédito secou em um momento em que a companhia precisava captar, problema que se abateu sobre diversas empresas. "Não é que a Petrobrás não queira captar no exterior. Mas não há recursos disponíveis, então tem que se aproveitar das oportunidades abertas aqui", diz o professor. Segundo Barbassa, a empresa tomou no mercado US$ 6,7 bilhões este ano.Braga concorda com analistas de mercado que não vêem problemas de solvência para a empresa. "Problemas de solvência, não. O problema é que o porte da empresa é muito grande e qualquer movimento gera grandes reações", afirma. Ontem, a corretora Ativa divulgou relatório demonstrando surpresa com a repercussão da operação de empréstimo com a CEF. "No momento, não vemos necessidade de desconfiar da saúde financeira da Petrobrás", diz a analista Mônica Araújo, que vê as denúncias como "movimento político" que pode prejudicar o desempenho das ações da companhia em bolsa.

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