Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Para analistas, Ibovespa deve cair mais

Principal índice da Bovespa atingiu menor patamar desde março de 2009, mas especialistas acreditam que o fundo do poço ainda não chegou

Claudia Violante, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2016 | 20h43

A fraqueza do mercado acionário doméstico vem surpreendendo neste começo de ano. A Bovespa subiu em apenas um dos sete pregões que já ocorreram este mês, vem dia a dia renovando a menor pontuação desde meados de março de 2009 e já acumula perdas de quase 9% em 2016. Em todo o ano de 2015, a Bolsa brasileira já havia cedido 13,31%, no terceiro ano consecutivo no vermelho.

Mas quem pensa que o Ibovespa nos 39 mil pontos está num bom patamar para compras, engana-se. Há, claro, alguns bons achados, mas a tendência de baixa ainda deve predominar. Ontem, o índice fechou em queda de 1,09%, aos 39.513,83 pontos, menor nível desde 17 de março de 2009 (39.510,72 pontos).

Especialistas consultados pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, concordaram que a virada de ano não foi positiva para a Bovespa.

“Surpreende esse ambiente tão negativo nesse começo de ano. No último trimestre, o mercado estava muito focado em Brasil. Agora, há problemas com a China. Os mercados no mundo acordaram ao mesmo tempo para os problemas da China”, comentou Alexandre Póvoa, sócio-gestor da Canepa Asset.

Segundo ele, o ambiente bastante ruim desse começo de 2016 embute um fator psicológico, não é só fundamento, uma vez que não há nenhum dado novo que possa explicar a fraqueza do mercado todos os dias. “É muito mais sentimento coletivo do que fundamento. Apesar de fundamentalmente haver alguns papéis com preços interessantes, a Bovespa pode cair mais”, comentou.

A previsão não se baseia apenas na economia chinesa. O cenário doméstico também embute riscos. O Brasil ainda tem muitas incertezas políticas e há definições importantes esperadas para o primeiro trimestre, destacou Paulo Eduardo Nogueira Gomes, economista da Azimut Brasil Wealth Management. “O governo ainda tem popularidade baixa e precisa fazer ajustes nas contas públicas, ajeitar o lado fiscal. O dever ainda não foi feito e isso tem potencial de queda no Ibovespa”, disse. “Assim, nossa avaliação é de que ainda não é hora de comprar ações.”

Queda no PIB. Ignacio Crespo Rey, economista da Guide Investimentos, lembrou que o PIB terá nova queda neste ano - pela projeção mais recente do boletim Focus, de 2,99% - e isso vai se refletir diretamente no resultado das empresas. “Se levarmos em consideração o comportamento recente de redução dos lucros, costuma ocorrer uma revisão para baixo dos números. E os números do PIB e da atividade têm decepcionado. A recessão no ano passado foi pior do que o projetado no começo do ano. Considerando que no começo do ano geralmente as previsões são mais otimistas, a conclusão é de que não é hora de entrar na Bolsa”, disse, acrescentando que prevê queda adicional no Ibovespa.

O economista da ModalMais Álvaro Bandeira também avalia que o Ibovespa pode cair mais. “A conjuntura desfavorável deve piorar no primeiro trimestre e os resultados certamente não vêm bons.” Nem mesmo o aparente preço atrativo do Ibovespa em dólar é um convite à compra de papéis. “O investidor pode esperar o dólar se valorizar mais antes de entrar”, comentou ao ponderar, entretanto, que não espera um piso muito distante do atual. “Talvez vá para os 38 mil pontos”, arriscou.

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