Para analistas, acerto deve dar novo fôlego para ações da Oi

Segundo especialistas, papéis serão beneficiados pelo crescimento do setor e melhoria das margens da empresa

Luciana Collet, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2011 | 00h00

O esperado anúncio do acordo entre Portugal Telecom e Oi, que permitirá a entrada da empresa portuguesa na companhia brasileira, pode fazer com que as ações da Oi finalmente deslanchem, de acordo com a opinião de analistas de mercado ouvidos pela Agência Estado. Após serem "punidas" ao longo de 2010 e encerrarem o ano com queda na casa dos 20%, os papéis do grupo Oi voltaram a subir este mês, diante da perspectiva de conclusão da operação, somada a um cenário de otimismo no setor.

Apesar de o acordo definitivo manter a operação de subscrição de ações que deve resultar na diluição dos minoritários, a avaliação dos profissionais é de que tal movimento já foi precificado. Por isso, ganhariam mais peso as perspectivas de crescimento do setor de telecomunicações, bem como de melhoria das margens da companhia, com a redução da dívida.

"Os resultados do 4.º trimestre, que devem ser positivos, e a expectativa de distribuição de dividendos já vinham impulsionando os papéis", diz a analista Kelly Trentin, da corretora Spinelli. "Após o aumento de capital, a empresa se torna mais robusta para investir e crescer, favorecendo a perspectiva do papel", completa.

Rosângela Ribeiro, da SLW, destaca os planos da companhia de se fortalecer no segmento de transmissão de dados e de entrar na área de TV a cabo, para a qual ainda espera liberação. Além disso, com a participação de 10% que a Oi terá na Portugal Telecom, a tele brasileira poderá atuar fora do País. "O que ajuda também nessa valorização é o "timing", já que o mercado trabalha com a conclusão dessa operação no final de março", afirma o chefe da área comercial de renda variável da Link, Adriano Yamamoto. Além da redução da alavancagem, ele cita também o ganho com sinergias.

Ainda assim, no curto prazo os papéis deverão apenas buscar os valores da subscrição. O preço por ação na emissão da TNLP é de R$ 38,5462 por ação ordinária e R$ 28,2634 por preferencial, com base na média das cotações em bolsa nos 60 dias anteriores à divulgação do aumento de capital, que ocorreu em 28 de julho de 2010. Já o aumento de capital da TMAR terá o preço de R$ 63,7038 por ON e R$ 50,7010 por PNA, definido sob os mesmos critérios.

E há quem acredite que essa valorização virá apenas após a conclusão da subscrição. Eduardo Marques Roche, chefe de análise da Modal Asset Management, avalia que a proximidade do anúncio do acordo pode ter estimulado a compra dos papéis, mas não acredita que o movimento deva se manter. "A demanda de mercado pela subscrição não está muito alta, pelo menos por enquanto", diz Roche, para quem o preço dos papéis está baixo.

A principal expectativa dos analistas do setor com a entrada da Portugal Telecom na companhia é a melhoria do ponto de vista operacional e de governança. Rosângela Ribeiro, da SLW, ressalta que a redução da participação de investidores financeiros (BNDESPar e os fundos de pensão Previ, Petros e Funcef) na Oi é positiva, uma vez que reduz o risco societário.

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