André Dusek/Estadão
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Para analistas, ajuste fiscal será ‘demorado’

Economistas ressaltam que, ao ampliar a previsão de déficit em 2018, o governo trabalha com um cenário econômico mais restritivo e com os efeitos da eleição

Altamiro Silva Junior, André Ítalo Rocha e Eduardo Laguna, Broadcast

07 de abril de 2017 | 22h41

SÃO PAULO - Para os analistas, ao ampliar a previsão de déficit em 2018, de R$ 79 bilhões para R$ 129 bilhões, o governo trabalha com um cenário econômico mais restritivo e com os efeitos da eleição no ano que vem.

Na avaliação da o economista-chefe do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos, a perspectiva seria de uma recuperação fraca e tímida da economia e de que o já elevado gasto público vai seguir crescendo em termos reais. Dessa maneira, a mudança confirma a expectativa de que o ajuste fiscal será lento e demorado e o Brasil pode demorar de 4 a 5 anos ou talvez ainda mais tempo para alcançar um superávit primário que estabilize a dívida pública.

A avaliação do Goldman Sachs é que o ajuste fiscal “profundo, permanente e estrutural” permanece essencial na agenda de política econômica do Brasil, mas será um processo que vai levar vários anos e, portanto, sujeito a vários riscos pelo caminho. A volta ao superávit primário, como o governo tinha até 2013, vai demorar 3 anos.

O sócio da Canepa Asset Management Alexandre Póvoa segue a mesma linha. Póvoa avalia que o governo optou pelo conservadorismo diante das incertezas em relação à retomada.

Mas, comenta Póvoa, o anúncio também pode ter sido uma manobra do Planalto para acomodar no orçamento um maior volume de gastos, já que o governo sabe da dificuldade e inconveniência política de cortar custos num ano de eleições. Com maior folga orçamentária, a gestão já de baixa popularidade do presidente Michel Temer evita o desgaste de ter que recorrer a aumento de impostos para fechar as contas. “Estabelece-se um déficit maior para que não seja necessário aumentar imposto”, afirma Póvoa.

O aspecto mais preocupante da revisão da meta fiscal são seus efeito colaterais, pois haverá um aumento da relação entre dívida pública e ao Produto Interno Bruto (PIB), avalia o economista Luis Afonso Lima, da Mapfre Investimentos.

“Não importa se a nova meta é realista ou pouco ambiciosa, o que importa é que o detentor da dívida vai querer mais prêmio e menos prazo, o que fará com que a relação entre dívida e PIB continue aumentando”, afirmou Lima. 

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