Para analistas, alta de impostos é necessária no curto prazo

Economistas dizem que aumento de impostos pode ser uma solução para entregar metas fiscais

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2016 | 23h42

Economistas acreditam que, pelo menos no curto prazo, o aumento de impostos pode ser uma solução para a equipe econômica entregar as metas fiscais prometidas.

Nas projeções da economista e sócia da Tendências Consultoria Integrada, Alessandra Ribeiro, o quadro é muito difícil para que o governo não eleve impostos. Ela acredita que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, deverá anunciar o aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide, o imposto do combustível) em setembro, após a confirmação do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

“Se o governo anunciar a Cide em setembro, ela já passaria a valer entre novembro e dezembro e, em 2017, o governo teria a arrecadação total”, disse.

No cenário da Tendências, o governo deve aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita os gastos públicos e ter uma receita adicional de R$ 57 bilhões por ano – nesse montante, estão a arrecadação proveniente da Cide e outros tributos, receitas extraordinárias de privatização e concessão, e repatriação de recursos. “Com a nossa estimativa de crescimento para 2017, 2018 e 2019, o resultado primário só volta a ser positivo em 2019”, afirma Alessandra. “É muito difícil que o governo não precise aumentar impostos.”

O economista Bernard Appy, diretor do Centro de Cidadania Fiscal e ex-secretário Executivo do Ministério da Fazenda, acredita que o debate das contas públicas precisa caminhar para o longo prazo. “No curto prazo, talvez seja necessário ter algum aumento de imposto. O ideal é que ele fosse temporário”, diz Appy. “O fundamental, no entanto, seria o governo abrir as projeções de longo prazo para as contas públicas de forma a deixar claro se é possível fazer o ajuste sem aumento de imposto ou não.”

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