Arnd Wiegmann/Reuters
Arnd Wiegmann/Reuters

Para analistas, Bolsonaro acertou nos temas escolhidos para discurso, mas faltou detalhar medidas

Abertura comercial e redução na carga tributária foram algumas das questões destacadas pelo presidente em seu discurso na sessão de abertura do Fórum de Davos; brasileiro, porém, não disse quais medidas vai adotar para atingir esses objetivos

André Ítalo Rocha, Mateus Fagundes e Adriana Fernandes, enviada especial, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2019 | 16h33
Atualizado 22 de janeiro de 2019 | 20h26

SÃO PAULO E DAVOS - Analistas de mercado acreditam que o presidente Jair Bolsonaro acertou nas questões que escolheu para destacar no discurso da sessão de abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, na tarde desta terça-feira, 22. Mas consideram que ele poderia ter sido mais incisivo nas medidas a serem adotadas, principalmente no que diz respeito às reformas. 

“Do ponto de vista de diagnóstico, o discurso foi na direção correta. Não houve erro grosseiro. Pelo contrário, teve capacidade de sintonizar o discurso com agendas que de fato representam uma preocupação, que são atributos importantes para um país que deseja atrair poupança externa e integração econômica”, disse o analista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria.

Para ele, o presidente acertou ao destacar em sua fala temas como abertura comercial e ajuste fiscal. Bolsonaro, no entanto, poderia ter explicado como pretende atuar, acredita o analista. “Houve pouca ambição na descrição”, disse Cortez. De qualquer forma, ele considera que é natural o presidente se estender pouco na agenda econômica, uma vez que discursar sobre esse tema “não é o forte” dele. 

Falta de informação sobre as reformas

O economista-chefe da IHS Markit, Nariman Behravesh, disse que o discurso de Bolsonaro foi “um pouco decepcionante”, mas em termos gerais foi “muito encorajador”, especialmente em relação à agenda econômica.

“Ele deixou bem claro que iria seguir uma agenda pró-mercado, incluindo a redução da carga tributária e a redução da regulamentação. Como muitos líderes no passado, ele fez um apelo para que líderes empresariais globais investissem no Brasil”, afirmou Behravesh, em relatório. 

“Foi um pouco decepcionante que não houvesse muitos detalhes sobre o que ele vai fazer sobre as reformas, mas certamente os objetivos gerais eram muito encorajadores”, disse.

Behravesh destacou ainda a duração curta do discurso e os questionamentos que Bolsonaro teve em relação às políticas ambientais. “Sua resposta foi que o objetivo de proteção ambiental precisa ser equilibrado com a meta do desenvolvimento econômico”, escreveu o economista.

'Marrentice'

O presidente Jair Bolsonaro, em jantar com investidores em Davos, onde participa do Fórum Econômico Mundial, disse que a reforma da Previdência é "imprescindível", segundo relato feito pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno.

Ao Estadão/Broadcast, Heleno afirmou que o presidente sempre tem dito que a reforma que precisa ser feita é aquela que pode ser aprovada. Segundo o general, não era "o caso e nem o lugar" para o presidente falar de reforma de Previdência no discurso inaugural do Fórum deste ano.

"Achei o discurso ótimo. Muito preciso. Cada parágrafo com uma ideia de força", disse Heleno. "Se fosse longo, também iriam reclamar", afirmou ele, acrescentando que há uma "marrentice" daqueles que sempre criticam. /

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