Para analistas, cenário para as blue chips continua positivo

Possibilidade de retomada da atividade econômica se apresenta mais promissora na comparação com o início do ano passado

Karin Sato, O Estado de S.Paulo

10 Fevereiro 2018 | 05h00

As perdas das ações da Petrobrás e dos bancos nesta semana, depois do rali observado desde o final do ano passado não mudaram a percepção dos analistas: as blue chips seguem interessantes. Profissionais da Magliano disseram que o cenário de retomada da atividade econômica se apresenta mais promissor, na comparação com o início do ano passado.

“Ao longo do último ano, observamos uma evolução importante no desempenho operacional tanto dos grandes bancos, quanto da Petrobras. No caso do setor financeiro, a combinação de inflação em baixa - e que deve ficar estável neste ano, na nossa avaliação - e estancamento da deterioração do mercado de trabalho contribuíram para melhora dos índices de inadimplência”, destacou Carlos Soares, analista da Magliano Invest.

Já no caso da Petrobrás, a perspectiva é de que empresa continue reduzindo a alavancagem por meio da perspectiva de geração de caixa, em linha com a política de preços mais alinhada às cotações internacionais.

Analistas do Santander, por sua vez, disseram que seguem positivos com a tese de investimento na petroleira, dados os esforços da atual gestão em vender ativos não estratégicos e reduzir a alavancagem da companhia. “Além disso, acreditamos que os investidores atualmente não dão o benefício da dúvida de que o preço do petróleo pode se estabilizar acima de US$ 60/barril (o Brent hoje atualmente está em US$ 64/barril). Caso tenhamos uma estabilização da cotação da commodity nesses níveis, esperamos ganhos operacionais à Petrobras que ainda não foram integralmente precificados pelo mercado”, afirmaram.

Para Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos, o cenário para grandes bancos é positivo, diante da possível melhora das perspectivas para o crédito neste ano. “Este processo já foi iniciado no quarto trimestre de 2017”, disse. Ele também citou mais pontos positivos, como menores provisões com devedores duvidosos e crescimento das unidades de seguridade (seguros, previdência e capitalização).

Com relação à Petrobrás, o analista da Lerosa afirmou que a perspectiva também é positiva. A alavancagem deve seguir em queda, com a ajuda da continuidade da venda de ativos.

“A expectativa da empresa é encerrar o ano com a alavancagem abaixo dos 2,5 vezes, patamar importante e que a colocaria em condições de similaridade com seus pares internacionais, reduzindo assim o desconto atual da ação. Deve-se mencionar ainda o reforço positivo com a abertura de capital da BR Distribuidora, acarretando melhora da governança e de resultados para a controladora”, disse.

Voltando aos bancos, Luis Gustavo Pereira, da Guide Investimentos, espera, daqui para frente, maior redução das despesas com provisões de perdas, índice de inadimplência em contínua tendência de queda, com a melhora da economia e taxa de juros em patamares mais baixos - o que tende também a impulsionar a demanda por crédito, e crescimento da demanda por captação por parte das grandes empresas brasileiras.

Sobre Petrobrás, Pereira disse que os resultados do quarto trimestre devem vir sólidos, impulsionados por preços mais altos do petróleo. “No balanço, esperamos um avanço operacional, com ganhos de eficiência e produtividade, recuperação de margens e continuidade do processo desalavancagem.”

Top Picks

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.