Para analistas, crise política dificulta ajuste

Ex-diretor de Política Monetária do BC avalia que, embora necessário, um ajuste fiscal de qualidade 'está fora de questão'

IGOR GADELHA, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2015 | 02h05

A crise política pela qual passa o governo da presidente Dilma Rousseff tem trazido impactos para a condução econômica (e vice-versa) e põe em xeque a profundidade do ajuste fiscal implantado para recuperar a credibilidade do País junto a investidores, empresários e consumidores. Com diferentes graus de otimismo, essa conclusão foi praticamente unânime entre professores, jornalistas e economistas durante o debate "A economia e a conjuntura política no 2.º mandato de Dilma Rousseff", promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Um dos debatedores, o ex-diretor de Política Monetária do Banco Central Luís Eduardo Assis, avaliou que, embora extremamente necessário, um ajuste fiscal de qualidade "está fora de questão" diante da crise política vivenciada pelo governo Dilma e por conta do próprio atraso em promover essas mudanças. "Seria mais indolor se tivesse feito há dois, três, quatro anos atrás. Mas antes tarde do que nunca", afirmou.

O colunista e repórter especial do Broadcast Fábio Alves destacou que, ao afetar diretamente a condução da economia, essa crise política também tem pesado na tomada de decisão de investidores. Um exemplo é a variação do dólar, que passou de R$ 2,55 em 22 de janeiro, para acima de R$ 3,10 nas últimas semanas.

O professor da FGV Gustavo Fernandes, por sua vez, avaliou que a crise política e econômica é reflexo do esgotamento do "experimento desenvolvimentista" que o governo Dilma iniciou e do próprio sistema político, "que ainda não se desenvolveu a contento".

Já o também professor da FGV Marcos Fernandes Gonçalves da Silva se mostrou mais otimista. Segundo ele, o otimismo é sustentado nas mudanças pelas quais o Brasil passou nos últimos anos, como a consolidação da classe média e das políticas sociais e o aumento do nível educacional.

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