Para analistas, estratégia da montadora é arriscada

A estratégia da Ford de ressuscitar o veículo Explorer transformando-o num modelo mais econômico é, para analistas do setor, uma medida que implica alguns riscos, pelo menos em três aspectos.

, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2010 | 00h00

Primeiro, ressuscitar marcas que quase desapareceram é uma tarefa difícil na indústria automotiva, onde as lembranças ruins costumam ser duradouras. Em segundo lugar, a injeção de recursos no Explorer rompe com a estratégia tão alardeada da Ford de se concentrar em veículos com escala e atração globais; e, finalmente, não se sabe com certeza se vai ser grande o número de americanos dispostos a comprar novamente um carro utilitário esportivo.

"A vasta maioria das pessoas não precisa de uma picape com tração nas quatro rodas e off-road", destaca Aaron Bragman, analista de produto da empresa de pesquisa IHS Global Insight. "Os americanos ainda gostam da ideia de sair sem destino, mas os utilitários esportivos tradicionais têm uma imagem negativa."

Alto consumo. Outro desafio da Ford será o de superar a reputação do Explorer, de ser um carro de alto consumo de gasolina, e, ao mesmo tempo, não espantar aqueles possíveis compradores que ainda buscam as capacidades de um utilitário esportivo completo.

Se a montadora cumprir a promessa e lançar um carro mais econômico, o novo Explorer deverá consumir 1 litro de gasolina a cada 10 quilômetros rodados na estrada, com um motor opcional, EcoBoost, aumentando ainda mais esse desempenho. "Se atingir essa faixa, provavelmente o veículo vai superar um obstáculo e algumas pessoas pensarão em adquiri-lo", avalia o analista de mercado da Kelley Blue Book, James Bell.

Mas, se acredita que a marca pode até conquistar novos consumidores, Bell não é tão otimista com relação aos velhos clientes. "Não imagino que a experiência anterior com o Explorer tenha sido tão boa a ponto de eles estarem loucos para comprar um novo", conclui.

A Ford, no entanto, teve um certo sucesso na reinvenção de outras marcas. No passado, a montadora conseguiu, por exemplo, levantar o Taurus, que já estava morto. O próprio Explorer enfrentou momentos adversos antes, depois que uma série de acidentes fatais causaram o recall de milhões de pneus Firestone, há uma década. Na época, a montadora travou uma ampla batalha com a fabricante de pneus para decidir quem deveria se responsabilizar pelos acidentes.

Assim, se bem conduzido, o processo de revitalização da marca pode dar certo. "Não vai provocar um incêndio no mundo; e o Explorer não vai voltar a ser nem uma vaga sombra do que foi", acredita Bell. "Mas, se eles fabricarem um carro de uma maneira lucrativa e em quantidades muito menores, acho que isso pode ajudar." / TRADUÇÃO DE T. M.

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