Para analistas europeus, reforma é o primeiro trunfo de Lula

A aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno foi muito importante para o Brasil segundo opinião unânime dos analistas e acadêmicos da Europa ouvidos pelo Estado. Apesar de observarem que a reforma ainda poderá sofrer modificações e ser alvo de batalhas jurídicas até a promulgação, eles consideram a votação na Câmara como o "primeiro grande triunfo político" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.O diretor global para títulos soberanos da agência de classificação de risco Fitch Ratings, David Ridley, disse que a aprovação da reforma no primeiro turno é "positiva e mostra concretamente que as prioridades do governo apontam na melhora sustentável das finanças públicas do País". Ridley observou que a ampla margem de votos obtida pelo governo "aumenta as perspectivas para se evitar futuras modificações no projeto até a aprovação final".O diretor do departamento de risco da consultoria Economist Intelligence Unit (EIU), David Anthony, considerou a aprovação como um "marco" do governo Lula. Segundo ele, agora chegou a fase da "realidade" para o Brasil nos mercados. "E essa realidade significa que você precisa produzir os resultados concretos, pois o governo será julgado justamente por esses avanços", afirmou. Segundo o diretor da EIU, a aprovação das reformas "tem um impacto de longo prazo na percepção dos investidores, que podem estar concluindo que o Brasil, esse gigante adormecido, pode estar começando a despertar".O professor da universidade London School of Economics (LSE), Francisco Panizza, especializado em América Latina, disse que a aprovação das reformas acontece num momento muito importante para o Brasil. "Estamos vendo nas últimas semanas uma reversão do quadro favorável para os países emergentes que predominou nos mercados internacionais no primeiro semestre", disse. "A aprovação da reforma serve para contrabalançar essa situação, pois os investidores vão se concentrar mais nos fundamentos de cada país, e isso reforça a posição do Brasil."O economista-sênior do Dresdner Kleinwort Wasserstein (DKW), Nuno Câmara, disse que as mudanças no projeto não deverão ter um impacto significativo. "A aprovação veio uma semana antes do esperado e foi mais uma demonstração do compromisso do governo atual com uma política fiscal responsável almejando crescimento sustentável e a boa saúde e igualdade do sistema previdenciário brasileiro", disse. O estrategista para mercados emergentes do fundo de investimentos Argo Capital Management, Alex Alencar, observou que agora "as pessoas vão perceber que trata-se de uma grande mudança estrutural para o Brasil, com efeitos muitos favoráveis no longo prazo". O analista disse que as concessões por parte do governo no processo de aprovação das reformas "fazem parte do jogo político e democrático, no Brasil e em qualquer parte do mundo".

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