Para analistas, grau de investimento pode atrasar

O grau de investimento para o Brasil pode sofrer um atraso, após a perda da receita da CPMF, na visão do diretor para a América Latina e consultor político do Eurasia Group, Christopher Garman. Ele observou que o superávit primário tende a cair com essa queda da CPMF, e não vê o governo disposto a cortar gastos. "O presidente não deve cortar programas como o PAC e o Bolsa-Família."O ex-diretor do Banco Central José Júlio Senna também vê o grau de investimento mais distante para o Brasil. Segundo ele, a derrota do governo no Senado deve repercutir na deterioração das contas públicas federais no médio prazo. Nesse contexto, ele pondera que é bastante provável que o Poder Executivo vai reduzir em 0,5 ponto porcentual do PIB o superávit primário no próximo ano."Se o governo de fato diminuir o superávit primário nessa magnitude para compensar parte da perda de 1,4% do PIB relativo à arrecadação obtida pela CPMF, o que é bem provável, avalio que o investment grade que antes eu avaliava como certo em 2008 deve ser postergado para 2009", diz Senna.O economista avalia que o eventual adiamento do grau de investimento para 2009 pode ocorrer porque as agências internacionais de rating estão atentas à evolução das contas federais, especialmente em relação à trajetória de queda da dívida pública bruta, que está ao redor de 65% do PIB, nível bem superior ao de outros países em desenvolvimento que já conquistaram a avaliação.Um menor superávit primário vai desacelerar a velocidade de queda desse passivo do Poder Executivo, o que no fundo indica a capacidade de solvência do Estado. "Pode ser até que o governo decida não reduzir o superávit primário, o que não prejudicaria o processo de concessão do investment grade. Mas, na atual conjuntura, essa hipótese é pouco provável, pois o Poder Executivo perdeu uma fonte relevante de receitas, que se aproxima de R$ 40 bilhões", comentou o economista do ABN-Amro Cristiano Souza.

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