Para analistas, incentivos não chegam à infra-estrutura

O pacote de política industrial anunciado ontem pelo governo não atacou os pontos básicos para o deslanche da indústria brasileira, como a remoção de obstáculos aos investimentos em infra-estrutura e redução, de forma ampla, da carga tributária, avaliaram economistas. ?Trata-se de um pacote inadequado em relação ao que realmente a indústria precisa para crescer?, afirmou o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. Ele destacou que, antes de atacar os pontos microeconômicos setoriais, é necessário dar condições básicas para desobstruir os entraves da infra-estrutura, especialmente de transporte rodoviário e marítimo, e diminuir os impostos incidentes sobre a produção de forma generalizada. ?O enfoque do pacote é prematuro e pode significar mais gastos públicos porque não existem as condições básicas para impulsionar o crescimento.?Essa avaliação é compartilhada pela economista-chefe para Brasil do Banco Real, Zeina Latif. ?A agenda de política industrial hoje é outra?, disse a economista. Para ela, a indústria precisa de políticas horizontais, que incluem a redução da carga tributária de forma generalizada, a criação de condições regulatórias para tornar viável os investimentos em infra-estrutura e a maior abertura da economia. Se forem feitas essas mudanças, ela acredita que as empresas se ajustarão naturalmente. ?A saída é dar as condições que o mercado se encarrega de ajustar.?Do ponto de vista prático, o impacto do pacote não será sentido no curto prazo. ?O investimento vai aumentar porque o País passa hoje por um processo generalizado de crescimento, independentemente da política industrial?, disse o diretor da RC Consultores, Fábio Silveira. O mesmo raciocínio é válido para a produção industrial, que deve crescer no curto prazo puxada pelo mercado interno. Silveira lembrou que políticas setoriais têm, por definição, resultados efetivos no médio e longo prazos. ?Essas ações deveriam ter sido feitas no passado, mas antes tarde do que nunca?, disse o economista. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.