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Para analistas, medidas são positivas

Anúncio indica para o mercado financeiro que o governo vai cumprir a meta fiscal este ano, segundo economistas

RICARDO LEOPOLDO, IGOR GADELHA, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2015 | 02h01

As medidas anunciadas ontem pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, como recomposição da Cide-Combustíveis e elevação da alíquota de IOF para operações de crédito realizadas por pessoas físicas de 1,5% para 3%, são "muito positivas", pois reforçam o ajuste fiscal adotado pelo governo, disse ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, Alberto Ramos, diretor de pesquisas para a América Latina da Goldman Sachs. O ministro informou que a Cide passa para R$ 0,22 por litro de gasolina e R$ 0,15 por litro de diesel. "A recomposição da Cide indica que o ministro Joaquim Levy vai cumprir a meta fiscal deste ano, pois deve entregar um superávit primário de 1,2% do PIB", disse Ramos.

Segundo ele, o ajuste das contas públicas em curso é favorável também para ajudar a política monetária a conter inflação, como é exemplificado pela elevação do IOF para operações de crédito de pessoas físicas. Ele ressaltou que a harmonia entre as políticas fiscal e monetária trará efeitos positivos para o IPCA, que, segundo suas estimativas, deverá fechar o ano entre 6,5% e 6,6%. .

Na avaliação do ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, as medidas devem ter influência positiva sobre o câmbio e os juros futuros hoje. "As ações anunciadas por Levy ajudam no processo de reconquista de credibilidade do governo e são sinais claros de correção da política macroeconômica", afirmou Loyola.

De acordo com ele, as ações estão dentro do esperado no contexto de ampliar as receitas do governo, numa conjuntura econômica de PIB fraco e amplas dificuldades de arrecadação. "Levy está entregando medidas que vão na direção da meta de superávit primário de 1,2% do PIB, que é um número difícil, mas factível."

Também para economista-chefe do Besi Brasil, Jankiel Santos, as medidas devem ter impacto positivo no mercado financeiro hoje, especialmente em relação a juros e dólar.

Para o economista, as medidas já eram esperadas e estão de acordo com o discurso que Levy vem adotando desde a sua indicação para o cargo, com o objetivo de "tentar eliminar todas as distorções que ele entendia haver em relação aos preços". "O cunho arrecadatório também era esperado e acho que as medidas não fogem em nenhum momento do objetivo de ajustar as contas públicas", acrescentou. Entre as quatro medidas, Jankiel avalia que o aumento da tributação sobre a gasolina foi a mais importante.

Petrobrás. O economista-chefe do Besi Brasil acredita que o aumento da taxação da gasolina e dos diesel deverá ser repassado pela Petrobrás e pelos distribuidores ao consumidor. "Redução da margem de lucro da Petrobrás por conta do aumento dos tributos me parece contraditório. Seria sinalizar o que a gente fazia no passado", criticou o economista.

No mercado financeiro, Jankiel avalia que a reação nos juros deverá ser de redução. "Com a perspectiva de menor carga sobre a política monetária, deve haver reduções ao longo da curva", explicou.

Já em relação ao câmbio, ele prevê que o real deverá ter um movimento de apreciação ante ao dólar, em razão do ganho de confiança que as novas medidas devem trazer para a economia brasileira.

No mercado de ações negociadas na Bovespa, Jankiel ponderou que a reação dos ativos vai depender de como a Petrobrás reagirá ao aumento da taxação sobre os combustíveis.

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