Para analistas, mercado financeiro pode reagir bem a um 2º turno

O mercado financeiro poderá mostrar melhora de humor nos próximos dias, caso seja confirmada a possibilidade de um segundo turno entre os candidatos à presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB). Esta avaliação foi feita pelo economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto, e pelo economista e sócio da Tendências Consultoria Integrada, Roberto Padovani.De acordo com eles, a melhora poderia ocorrer porque nos últimos dias muitos investidores zeraram posições com medo de alguma surpresa nas urnas. Vale lembrar que a expectativa até sexta-feira entre os economistas era a de que Lula se reelegeria já neste domingo. "Se houver alguma movimentação causada pela política, ela será positiva porque o mercado doméstico não foi tão bom aqui na última semana quanto no Exterior", comparou Padovani. "Pode ser um período positivo", acrescentou Campos Neto, salientando que as Tesourarias deverão se reunir na segunda-feira cedo para avaliar a situação com mais detalhes.Os dois analistas salientaram que a principal incógnita no mercado diz respeito à governabilidade do próximo presidente. Caso seja Lula, a avaliação é a de que ele teria menos força no Congresso para promover as reformas tão aguardadas pelo setor financeiro. "Principalmente depois de tudo o que ocorreu, até que seria bom um segundo turno", considerou o economista do Schahin, referindo-se às denúncias de corrupção no atual governo. Para ele, esta indefinição, ainda que não seja determinante, poderá dar "um empurrãozinho" para que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a Selic em mais 0,50 ponto porcentual na próxima reunião, dias 17 e 18 deste mês.Padovani explicou que há duas interpretações diferentes no mercado. A primeira, com a qual concorda, é a de que o cenário interno ainda se sobrepõe aos resultados políticos domésticos, mas que uma reação positiva pode ser desencadeada com a expectativa de uma possível vitória de Alckmin. "A avaliação é a de que o candidato pode construir alianças mais amplas no Congresso, facilitando as reformas", explicou.Uma segunda avaliação é a de que um segundo turno poderia trazer um desgaste maior entre o governo e o PSDB, dificultando a criação de apoio para as reformas, em função da previsão de que a "artilharia será mais pesada" neste período.

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