Para analistas, nota da Moody's não esconde inconsistências econômicas

Especialista divergem sobre influência do cenário global e alertam que comemoração não deve eclipsar reformas

Alexandre Rodrigues / RIO, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2011 | 00h00

A elevação da classificação de risco do Brasil pela agência Moody"s pode ser vista como uma aprovação da política econômica do governo de Dilma Rousseff, quase seis meses após a posse. Mas, ressaltam analistas, não esconde a necessidade de reformas para corrigir inconsistências da economia,

"Havia uma incerteza sobre como o novo governo lidaria com uma rota insustentável de crescimento, que provocou inflação. Agora a Moody"s diz que o governo está conseguindo lidar com isso. Está tentando reduzir gastos, embora pudesse fazer mais no ajuste fiscal", destaca o economista Claudio Frischtack, da Inter. B Consultoria.

Para ele, as condições internas do País foram determinantes para a promoção da nota, mas houve influência do cenário internacional tenso, com risco de contágio da Europa pela crise da Grécia. Mais distante desse contexto, com um sistema bancário sólido e que também foi reavaliado positivamente pela Moody"s, o Brasil destacou-se como alternativa. "É quase uma contraposição", observa Frischtack.

Já Paulo Levy, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), acredita que o contexto internacional pesou pouco. Ele também não vê na classificação profundidade suficiente para avalizar a política econômica atual. Tem mais a ver com política fiscal, o alto nível das reservas ou o perfil da dívida.

"É uma avaliação centrada nas condições do País de pagar a dívida externa, não passa necessariamente por todos os componentes da política econômica."Para ele, uma semana depois de o risco país do Brasil ter ficado abaixo do dos EUA, o clima de comemoração não inibirá reformas e o combate à inflação. "O governo tem clareza do que é preciso para acelerar o crescimento."

Para Ruy Quintans, professor de macroeconomia do Ibmec-RJ, a classificação não é uma surpresa. "A agência avalia a capacidade de o País buscar financiamento, que é o que a Grécia acabou de perder. É um comportamento normal do mercado. É como verificar o saldo da conta bancária de alguém que precisa de crédito. Não é uma avaliação do caráter da pessoa", compara. Para ele, embora a Moody"s tenha destacado os efeitos das medidas contra a inflação, a estabilidade de preços demandará mais energia do governo este ano.

Para Rossano Oltramari, analista-chefe da XP Investimentos, a nota é uma aprovação até mesmo na forma como estão sendo manejadas medidas macroprudenciais: "A inflação ainda merece atenção, mas isso traz alívio".

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