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Para analistas, prévia da inflação sinaliza corte menor dos juros

Resultado do IPCA-15 de setembro, o menor desde 2006, pode ser primeiro sinal de que inflação tenha atingido piso

O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2017 | 11h05

Analistas do mercado viram com bons olhos a divulgação da prévia da inflação, o IPCA-15, nesta quarta-feira, 21. O indicador registrou em setembro seu menor patamar desde 2006. Eles também chamam a atenção para as projeções melhores para a inflação feitas no mais recente relatório do Banco Central.      

Puxado sobretudo pela queda nos preços dos alimentos, o IPCA-15 ficou em 0,11%, ante um crescimento de 0,35% registrado em agosto.

De acordo com o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Viana de Carvalho, a inflação projetada para 2017, próxima de 3%, reflete a baixa nos preços dos alimentos. "Temos destacado que parte dessa desinflação tem a ver com uma surpresa desinflacionária dos alimentos. É natural que mudanças de preços relativos ocorram para um lado e para o outro. Cabe à política monetária se concentrar em efeitos secundários." Viana também considera que a projeção de alta de 2,2% do PIB para 2018 é compatível com o cenário de recuperação gradual da economia.

Segundo a Capital Economics, o IPCA-15 é o primeiro sinal de que a inflação pode ter atingido piso e o resultado reforça a visão de que o corte na Selic, os juros básicos, vai ser de 0,75 ponto porcentual. Na última reunião do Comitê de Políticas Monetárias (Copom), quando o BC cortou a Selic em 1 ponto porcentual, a 8,25% ao ano, houve a indicação de encerrar o ciclo de afrouxamento da Selic de maneira gradual.

Para Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria Integrada, também chamam a atenção as projeções melhores para a inflação feitas no relatório do Banco Central, o RTI. "Mesmo com Selic caindo para 7% e câmbio em R$ 3,10, o documento traz revisão para baixo para a inflação. Também surpreende as estimativas para 2019 e 2020", afirma. No caso das expectativas para o longo prazo, a Selic estimada está na faixa de 8%. 

"Mesmo assim, o cenário de mercado mostra uma inflação alinhada com a meta. Isso sinaliza que estão vendo uma taxa de juro estrutural mais baixa para 2019 e 2020, talvez mais próxima de 4%. Isso surpreende", analisa. Conforme a economista, os sinais no documento de IPCA aquém da meta de 4% pode dar margem para debate sobre nova redução na meta inflacionária para 2021. "Não acredito que de repente possa haver espaço para queda para 3%, mas quem sabe para 3,5%, 3,75."

Para Alberto Ramos, do Goldman Sachs, a previsão de inflação pelo RTI também é consistente com cumprimento da meta até 2020 e com os juros básicos encerrando a . Ele também estima que, se o dólar ficar ancorado ao redor de R$ 3,10, os juros podem ficar abaixo de 7% ao ano.

Segundo Mauricio Oreng, do Rabobank, o IPCA-15 de setembro eleva a possibilidade de a inflação fechar o ano abaixo de 3%. Mais otimista, ele diz acreditar que há uma possibilidade maior de que a Selic caia um pouco mais no fim do ciclo de cortes de juros e chegue a 6,75%.

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