Helvio Romero/Estadão
Ministro Moreira Franco na batida do martelo junto com os vencedores da concessão do Aeroporto de Florianopolis Helvio Romero/Estadão

Para analistas, resultado de leilão de aeroportos melhora cenário para investimentos

Na avaliação de especialistas, certame traz mensagem positiva para os próximos projetos de infraestrutura

Luciana Collet, Victor Aguiar, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2017 | 22h12

Ao contrário do que ocorreu nos últimos leilões em que empresas desconhecidas venceram importantes aeroportos, desta vez o mercado não tem do que reclamar. Operadores europeus garantiram o sucesso do leilão desta quinta-feira, 16, ao arrematarem os aeroportos de Porto Alegre, Salvador, Florianópolis e Fortaleza. “São todas empresas com tradição no exterior e presença em aeroportos que são muito bem avaliados”, disse Wellington Moreira Franco, após a disputa, na BM&FBovespa.

Embora o número de proponentes tenha sido bastante reduzido – apenas três propostas frente aos mais de 12 operadores que ao longo do processo de licitação mostraram interesse na concorrência –, foi um número suficiente para garantir que todos os ativos fossem concedidos. E era o que bastava para o governo.

Especialistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, consideraram o resultado positivo, mas sem surpresas. “O que importa não é a quantidade, mas a qualidade das propostas, e os três players são de primeiríssima linha e demonstram a atratividade dos ativos para investidores de longo prazo”, disse o sócio do escritório Mattos Filho para a área de infraestrutura Bruno Werneck.

Ambiente positivo. Para ele, o certame foi um marco positivo para o setor de infraestrutura no País, porque contribui para gerar um ambiente mais positivo para a atração de investimentos. “O importante deste leilão é retomar a visão de investimento em infraestrutura, de que não se está investindo em uma roleta ou um cassino, mas em um projeto de longo prazo, que não tem retorno altíssimo, mas um retorno previsível”, completou.

A sócia do Tozzini Freire Advogados na área de Infraestrutura, Ana Cândida Carvalho, também destaca o clima otimista que o leilão traz. “O resultado foi muito positivo, não só no aspecto de garantir ao governo um ágio em linha com o esperado, mas principalmente por passar uma mensagem positiva para os próximos projetos na esteira do PPI (Programa de Parceria de Investimentos)”, avaliou.

“Foi mais ou menos tudo dentro do esperado: ágios não tão grandes como em outras rodadas, pelas características da modelagem atual, que inibia lances mais altos, mas todos os valores consideráveis, mostrando que tem apetite para os investidores”, avaliou o sócio de Aviação do Machado Meyer Fábio Falkenburger.

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Considerado 'patinho feio', Florianópolis surpreende

Terminal recebeu dez lances a viva-voz

Luciana Collet, Victor Aguiar, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2017 | 23h07

Considerado por especialistas como o “patinho feio” entre os terminais, Florianópolis surpreendeu a todos, ao se tornar o ativo mais disputado no leilão, recebendo um total de dez lances a viva-voz das operadoras Zurich (Suíça) e Vinci (França). A primeira venceu a concorrência ao apresentar um lance de R$ 83,333 milhões, o que corresponde a um ágio de 58% ante um valor mínimo de R$ 52,75 milhões.

O diretor administrativo de Desenvolvimento de Negócios Internacionais da Zurich Airport, Martin Fernandez, afirmou que o terminal de Florianópolis “não é um patinho feio, é um patinho pequeno, mas se ajudarmos a crescer será um patinho grande”. Para ele, o aeroporto catarinense possui uma demanda reprimida, tendo em vista as características locais de turismo e seu potencial de desenvolvimento de negócios, em especial no segmento de tecnologia.

“Não entendemos como um aeroporto em uma praia, em uma cidade com essas características tão boas, só tem 3,6 milhões de passageiros/ano”, disse. O número ideal de passageiros por ano no terminal, para a companhia, é de 10 milhões.

A intenção da Zurich é buscar o apoio dos governos estadual e municipais da região para buscar o desenvolvimento regional. O executivo também admitiu que a operadora considera recorrer ao BNDES para financiamento, mas avaliou que as condições do banco de fomento não são tão atrativas. 

“O governo vende que ajuda desta forma, mas se for assim, qual é a ajuda?”, questionou.

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Alemã arremata Fortaleza e Porto Alegre

Terminal gaúcho foi um dos mais disputados do leilão

Luciana Collet, Victor Aguiar, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2017 | 23h09

O potencial de negócios de Porto Alegre foi o que motivou a operadora alemã Fraport a oferecer um ágio de 844,7% sobre o valor de outorga inicial mínimo pelo terminal gaúcho, ou R$ 290,512 milhões. O aeroporto foi um dos mais disputados do leilão, recebendo oito lances, ou seis propostas em viva-voz, e foi o que registrou o mais alto ágio, embora seja necessário considerar que também se tratava do terminal com menor valor inicial, de apenas R$ 31 milhões.

Em entrevista à imprensa, a vice-presidente executiva sênior da Fraport, Aletta von Massenbach, explicou que o forte interesse está relacionado ao potencial da região como “centro de negócios”. Segundo ela, a análise econômica sobre as especificidades desse mercado fez com que a companhia se interessasse pela concessão.

A Fraport também conquistou o terminal de Fortaleza, após apresentar um lance de R$ 425 milhões, ágio de 18%. O aeroporto também foi disputado, neste caso com a francesa Vinci. Sobre o aeroporto nordestino, Aletta salientou que a transformação do terminal não se dará tanto com novas construções, mas com a melhoria dos serviços. “O mais importante é o que oferecer, o que podemos fazer para atrair o interesse das companhias aéreas.”

Tanto no caso de Fortaleza como do de Porto Alegre, ela salientou que a operadora conta com o crescimento da operação das aéreas nos terminais, mas minimizou a importância em atrair empresas estrangeiras. “Se são internacionais ou não, não interessa, não faz diferença. O mercado de aviação é muito bom e temos um número de players suficientes.” 

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Estreante no Brasil, francesa fica com Salvador

Vinci administra, na América Latina, terminal de Santiago, no Chile, e todos os aeroportos da República Dominicana, exceto Punta Cana

Luciana Collet, Victor Aguiar, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2017 | 23h12

O diretor de desenvolvimento de negócios da Vinci Airports, Benoît Trochu, afirmou que a companhia esperava que outros competidores fizessem ofertas pelo Aeroporto Deputado Luís Eduardo Magalhães, de Salvador, uma vez que o terminal é atrativo em termos de turismo e de viagens corporativas. No entanto, o executivo ponderou que a instalação de um hub no Nordeste não é a prioridade das companhias aéreas brasileiras neste momento.

“Estamos num ponto em que as aéreas do Brasil estão lidando com um excesso de oferta”, afirmou Trochu a jornalistas. “Não é mais prioridade estabelecer um hub (em Salvador ou Fortaleza), mas claro que é algo que podemos olhar no futuro.”

Este é o primeiro aeroporto que será administrado pela francesa no Brasil. Na América Latina, a companhia arrematou, em 2015, a concessão do aeroporto de Santiago, no Chile, e, em 2016, todos os aeroportos da República Dominicana, com exceção do terminal de Punta Cana.

Questionado quanto ao estabelecimento de parcerias para a execução das obras relacionadas ao aeroporto de Salvador, Trochu destacou que a Vinci possui uma companhia interna de construção, que é, no entanto, mais voltada para serviços no setor de energia. 

“Não é exatamente o foco que precisamos, mas eles podem ajudar nas obras do aeroporto”, declarou o executivo. Ele também disse que, caso a Vinci opte por não usar essa companhia interna, a alternativa seria contratar um parceiro brasileiro.

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