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Para analistas, resultado do Pão de Açúcar é 'decepcionante' e 'perturbador'

Para analistas de bancos, crescimento de apenas 1% nas lojas abertas há mais de um ano de operação é preocupante

DAYANNE SOUSA , O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2015 | 02h04

"Decepcionante" e "perturbador" foram os adjetivos usados pelos analistas do Goldman Sachs e do Bank of America Merrill Lynch para definir os resultados de vendas do negócio alimentar do Grupo Pão de Açúcar (GPA), apresentados na terça-feira após o fechamento do mercado.

Considerando apenas os negócios de alimentos (Extra, Pão de Açúcar e Assaí), a receita líquida atingiu R$ 9,818 bilhões entre outubro e dezembro do ano passado. No critério mesmas lojas, que considera apenas unidades abertas há mais de um ano, as vendas do segmento alimentar cresceram 1% no quarto trimestre de 2014 na comparação anual.

Em relatório, os analistas Irma Sgarz, Bernardo Cavalcanti e Alencar Costa, do Goldman Sachs, avaliaram que os números do segmento são uma surpresa "levemente negativa" para o mercado.

Segundo eles, o resultado indica que não houve melhora significativa no desempenho de vendas dos supermercados e hipermercados da bandeira Extra. Após vendas fracas no terceiro trimestre, o GPA anunciou um plano para recuperar o crescimento na marca, que é a que vem apresentando os piores resultados.

O relatório dos analistas abordou também a estratégia mais agressiva de preços adotada pelo GPA. "O investimento em preço sem uma resposta nos volumes está machucando o crescimento nominal de vendas", concluíram.

Já o crescimento da bandeira Assaí, isoladamente, foi visto de forma positiva, mesmo com desaceleração. "O formato de atacado de autosserviço continua ofuscando as vendas mais fracas das outras bandeiras, mas ainda ficou aquém de nossa estimativa", disseram os analistas.

Para o Bank of America Merrill Lynch, o desempenho de vendas do Grupo Pão de Açúcar revela uma recuperação no negócio de eletroeletrônicos da Via Varejo (Casas Bahia e Ponto Frio) no quarto trimestre. Ao mesmo tempo, os analistas Robert E. Ford Aguilar, Melissa Byun, Nicole Inui e Vinicius Saraiva classificaram como "perturbador" o baixo crescimento nas vendas do negócio de alimentos. Isso, segundo eles, é uma preocupação num momento em que a inflação de alimentos sozinha cresce em torno de 7%.

No caso da Via Varejo, os analistas consideraram que a companhia se recuperou depois de uma retração no indicador de vendas "mesmas lojas" no terceiro trimestre, quando o fim da Copa do Mundo gerou uma redução na demanda. Uma precificação mais agressiva, a Black Friday forte e um melhor planejamento ofuscaram a fraqueza do mercado de eletroeletrônicos, avaliaram.

Apesar de considerarem que a desaceleração do consumo ainda deve afetar o setor, os analistas ponderam que a Via Varejo tem potencial para ganhar participação no mercado.

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