Para ANP, produção da OGX é incerta

Agência reguladora exigiu que a empresa apresente uma revisão das estimativas para o campo de Tubarão Martelo, sua maior aposta

SABRINA VALLE , O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2013 | 02h03

A Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) aprovou, com ressalvas, o plano de desenvolvimento do campo de Tubarão Martelo, operado pela petroleira OGX, de Eike Batista. Segundo uma fonte da agência, a ANP vê "grande incerteza" na estimativa de volume do reservatório. Isso significa que a empresa pode revisar para baixo sua principal aposta de produção de petróleo.

Situado na Bacia de Campos, o campo foi o único em fase de desenvolvimento que teve seu cronograma mantido, depois de a petroleira anunciar, no mês passado, a suspensão dos trabalhos nos campos de Tubarão Areia, Tubarão Tigre e Tubarão Gato. Na mesma ocasião, a empresa informou que Tubarão Azul, o único polo produtor da OGX na Bacia de Campos, deve encerrar a produção em 2014.

O volume recuperável de Tubarão Martelo foi estimado pela OGX em 285 milhões de barris no momento da declaração de comercialidade, há mais de um ano. Há dois meses, ao anunciar a venda de 40% de participação nos blocos BM-C-39 e B-C-40 (onde está localizado o campo) para a malaia Petronas, a OGX considerou 212 milhões de barris, atribuindo a estimativa à certificadora DeGolyer and MacNaughton de acordo com cálculos de fevereiro de 2012.

A OGX costuma divulgar suas projeções no teto das estimativas. A DeGolyer foi a mesma certificadora que apontou o volume inicialmente divulgado para o campo de Tubarão Azul, cuja expectativa inicial de produção, de até 50 mil barris por dia, resumiu-se a 5 mil barris/dia, com vazão decrescente.

Ao vender a participação para a Petronas, por US$ 850 milhões, a OGX informou que Tubarão Martelo estará produzindo até o fim deste ano. Na reunião de 13 de junho, a ANP aprovou o plano de desenvolvimento de Tubarão Martelo, mas determinou que a operadora apresente uma revisão até o fim de 2014.

A revisão precisa incluir "a atualização dos modelos geológicos e de simulação, bem como a apresentação de novas estimativas de produção e reservas a partir da modelagem atualizada, e dos dados reais de produção". O pedido demonstra uma incerteza da ANP em relação ao volume projetado pela OGX.

No dia 1 de julho, a OGX divulgou em fato relevante que "o Campo de Tubarão Martelo continuará a ser desenvolvido normalmente, com primeiro óleo previsto para o 4º trimestre de 2013".

No caso de Tubarão Tigre e Tubarão Gato, havia sido declarada a comercialidade de um intervalo entre 364 milhões e 776 milhões de barris. No comunicado de 1 de julho, a OGX disse que pediria à ANP a suspensão da produção desses dois campos por falta de tecnologia para viabilizá-la.

Há a possibilidade de que a OGX tenha usado em projeções o volume que contempla todo o óleo do reservatório. No entanto, apenas parte, em média 25%, costuma ser extraída, já que a produção depende do modelo geológico, como porosidade e pressão do reservatório.

A OGX fez uma consulta à agência para usar o óleo de Tubarão Martelo como garantia para os blocos que adquiriu no 11º leilão de áreas exploratórias, em maio. As regras da ANP permitem que seja usado óleo como garantia, numa prática comum e já utilizada pela Petrobrás, por exemplo. No entanto, há restrições para campos que ainda não produzem. Anteriormente, a OGX já tinha tentado usar o óleo de Tubarão Azul, mas a proposta acabou não avançando, já que a empresa reconheceu ter no campo volumes menores do que os declarados. A empresa disse que poderá parar os três poços hoje em produção.

Bloqueio. A Justiça do Rio indeferiu o pedido de liminar do acionista minoritário da OGX Márcio de Melo Lobo para o bloqueio dos bens do empresário Eike Batista. No pedido, Lobo cita notícias sobre a crise da OGX para alegar que a petroleira está em situação financeira de risco e a indisponibilidade dos bens de seu controlador seria uma garantia contra futuros danos.

Em sua decisão, a juíza da 5ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Maria Isabel Paes Gonçalves, afirmou que a situação da OGX se mostra difícil, mas considerou que tornar os bens da companhia indisponíveis poderia deteriorar ainda mais a situação do negócio. "Convenci-me de que a indisponibilidade dos bens da sociedade não se mostra adequada, vez que poderá gerar mais problemas do que solução", disse na sentença. / COLABOROU MARIANA DURÃO

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