Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Para Araújo, ‘não há indício’ de que união com Israel resulte em perdas comerciais com países árabes

Ministro das Relações Exteriores se reuniu nesta segunda-feira, 8, com conselheiros da Fiesp

Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 12h19

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, defendeu nesta segunda-feira, 8, em reunião com conselheiros da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a aproximação do Brasil com Israel e negou que a união resulte em perdas comerciais ao País.

"Não há nenhum indício que aproximação de Israel resulte em perdas comerciais com países árabes", afirmou. "Isso (perda de mercado) não está acontecendo, e as pessoas continuam falando nisso. Temos certeza que isso não está acontecendo."

A aproximação entre Brasil e Israel é alvo de críticas de países árabes e exportadores brasileiros, que temem perda de mercado, especialmente no segmento de proteína animal.

Para Araújo, no entanto, o novo cenário não significa menor relação com países árabes. Ele citou, por exemplo, que está em conversas com fundos de investimento dos Emirados Árabes Unidos e que este país quer intermediar a aproximação comercial do Brasil com a Índia

Acordo de Paris

O ministro também teceu críticas ao Acordo de Paris, durante o encontro. Para ele, os compromissos assumidos pela agenda climática podem prejudicar o agronegócio brasileiro.

"O Acordo de Paris tem em si um viés antiagrícola. Se não tomarmos cuidado, ele pode punir o agronegócio brasileiro", afirmou. De acordo com Araújo, ele já manifestou a preocupação ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. "Estamos na mesma página em relação a isso", disse.

Na sequência, o chanceler criticou organismos multilaterais. Ele disse ser "muito crítico à perspectiva do Itamaraty como representante da ONU no Brasil". "Nós (diplomacia) estamos aqui para trabalhar pelo Brasil", afirmou. 

Reforma da OMC

Na ocasião, o ministro garantiu ainda que a diplomacia brasileira quer contribuir para a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A reforma da OMC é uma das principais demandas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com Araújo, já foram debatidos no âmbito da reforma da OMC a "questão agrícola e solução de controvérsias".

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