Para Arida, economia está sobreaquecida

O ex-presidente do Banco Central Pérsio Arida afirmou ontem que a "economia brasileira está sobreaquecida, aquecida demais em relação ao seu potencial." Vários fatores determinam esse fenômeno, na sua avaliação, entre eles a pequena oferta de trabalhadores no mercado, o que leva a uma situação "maior que o pleno emprego."

GUSTAVO PORTO , RICARDO LEOPOLDO, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 02h14

Nesse contexto, ele citou que a taxa de desemprego está baixa para a realidade do País, que deveria ser entre 6,5% e 7%. "Essa seria a nossa Nairu", disse, referindo-se à sigla em inglês que significa taxa de desemprego que não acelera a inflação.

Dois outros elementos que levam a uma economia sobreaquecida no Brasil, em sua visão, é a política fiscal expansionista. "Os juros no Brasil são altos pela existência de vários subsídios ao crédito, como a TJLP", disse em palestra no 6º Congresso Internacional de Mercados Financeiros e de Capitais realizado pela BM&F Bovespa em Campos do Jordão, em São Paulo.

Ele criticou ainda a "super indexação do salário mínimo por força de lei", o que acaba disseminando uma alta generalizada da remunerações de grande parte dos trabalhadores.

Para ele, as expectativas de inflação estão "desancoradas", devido a vários fatores relativos à condução da economia, o que não está diretamente ligado com a gestão da política monetária. "O superávit primário deveria ser alto o suficiente para viabilizar uma política fiscal contracionista, para dar condições para o BC baixar os juros."

Arida afirmou que hoje o "Brasil não pode crescer muito mais que 2% ao ano sem pressionar a inflação." Segundo ele, um conjunto de elementos não permite que o País consiga ter um PIB potencial maior. A alta carga tributária e a política fiscal expansionista, que não dão espaço para o aumento dos investimentos públicos e privados, são dois fatores essenciais.

O ex-presidente do BC destacou que o intenso ritmo de concessão de crédito público, com base em taxas de juros subsidiadas, também determina essa realidade do Brasil. Além disso, a política fiscal expansionista colabora para que o BC tenha que elevar os juros para conter a demanda agregada, sobretudo porque os investimentos e a produtividade são baixos.

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