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Para Armínio, cenário ainda é incerto

Ex-presidente do Banco Central acredita que ainda é cedo para avaliar se a economia entrou em trajetória consistente de desaquecimento

Mônica Ciarelli, Cleide Silva e Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2011 | 00h00

O ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos, Armínio Fraga, acredita que é cedo para avaliar se a economia entrou em trajetória consistente de desaquecimento. "A economia deu alguns sinais de que está desacelerando, mas ainda é muito cedo para dizer se está em trajetória equilibrada ou não." Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a economia iniciou o ano em desaceleração.

Na opinião de Fraga, o corte de R$ 50 bilhões anunciado pelo governo é suficiente para colocar as contas públicas em rota equilibrada. O problema, explica, é que o mercado financeiro tem dúvidas sobre como o corte será feito. Para ele, a pressão sobre os juros e a inflação só vai ceder quando o mercado tiver mais detalhes sobre o corte.

Fraga lembra que o governo Dilma tem caminhado na direção de corrigir desequilíbrios na questão fiscal e na política monetária. "Colocar um pouco no lugar as contas públicas, que tiveram um ano difícil e também prestar mais atenção no crédito, que vem se expandindo muito."

Automóveis. Um dos dados que colocam em dúvida o desaquecimento da economia é o da venda de automóveis. Alex Agostini, da consultoria Austin Rating, lembra que a venda de veículos cresceu 14,8% em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2010, embora tenha caído sobre dezembro. "Se isso for desaquecer, não sei fazer análise", afirma.

Na primeira metade de fevereiro, as vendas de veículos novos seguem em recuperação. Até segunda-feira foram licenciados 126,4 mil veículos, 12,8% a mais em relação a igual período de janeiro. No primeiro mês do ano, houve queda de 35,8% na comparação com dezembro, mês recorde do setor (381,6 mil unidades).

Em relação a igual período de fevereiro de 2010, o mercado está estável, mas a aposta das montadoras é de melhora na segunda quinzena, o que levará a uma alta de mais de 20% nos negócios, com vendas 270 mil unidades este mês, incluindo caminhões e ônibus. Em fevereiro de 2010 foram vendidos 221 mil.

Acomodação. Para Thais Marzola Zara, economista da Rosenberg & Associados, está ocorrendo "uma acomodação" no mercado. Nos três primeiros meses de 2010 ainda estava em vigor a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para modelos flex. Em março, último mês do benefício, houve corrida às lojas e as vendas atingiram 353,8 mil unidades.

Em sua opinião, a tendência nos próximos meses é de ritmo mais lento de crescimento, em parte porque as medidas de restrição ao crédito começam a afetar as vendas. "A prestação agora já não cabe em vários bolsos", ressalta.

A Rosenberg projeta crescimento de 5% nas vendas este ano, para cerca de 3,6 milhões de unidades, mesma previsão das montadoras. No ano passado, o crescimento foi de 11,9% ante 2009. Somando janeiro e a primeira quinzena de fevereiro, foram vendidos 371,2 mil veículos, 10,3% a mais que no mesmo período do ano passado.

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