Marcio Fernandes|Estadão
Marcio Fernandes|Estadão

Para Arminio Fraga, voltar com reforma da Previdência de Temer seria 'retrocesso'

Fraga diz acreditar que a reforma da Previdência caminha para um projeto de modelo único, inclusive com a implantação de um benefício básico; nesta terça, Major Olímpio defendeu reaproveitar texto de Temer

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2019 | 14h59

RIO – O economista Arminio Fraga disse nesta terça-feira, 12, que a proposta do líder do PSL no Senado, Major Olímpio, de armínio ressuscitar o texto da reforma da Previdência de Michel Temer “seria sobretudo um retrocesso quantitativo”, referindo-se à redução de economia em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) que seria possível fazer. Ele afirmou continuar defendendo uma reforma mais impactante, que caminhe para um modelo de Previdência única no País.

“A proposta do governo Temer foi proposta excelente, mas foi desenhada dois, três anos atrás, (o rombo fiscal) cresceu muito depois disso, e ficou claro que na nossa leitura é fundamental que se faça mais”, disse Arminio após almoço-palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) para cerca de 200 empresários. 

“Eu penso que vai entrar todo mundo, já passou a hora de se fazer esse tipo de diferenciação em meio a esse caos fiscal. Eu acho que os militares vão entrar. A reforma deve levar a uma certa convergência, certamente dos regimes privado e geral, com certeza”, completou.

O ex-presidente do Banco Central defende uma reforma que garanta economia anual de 2,5% do PIB, contra a economia de 1,5% proposta que está sendo sinalizada pela equipe do presidente Jair Bolsonaro, que significa algo como R$ 1 trilhão em uma década, lembrou Arminio, ressaltando que no projeto dele havia regras que já foram descartadas como a igualdade entre mulheres e homens na aposentadoria.

"Se o Congresso fizer muitas emendas e diluir, vai para 1%, como precisamos de ajuste maior para o País deslanchar, de onde vai sair o resto? Se a ficha cair e fizessem uma reforma mais impactante, poderia ir para 2% do PIB, e se sair a MP do combate à fraude, pode chegar até 2,5%", detalhou.

Arminio disse acreditar  que a reforma da Previdência caminha para um projeto de modelo único, inclusive com a implantação de um benefício básico.

 

“Eu não vejo como uma proposta bem sucedida possa acontecer se depois de superada a fase de transição não exista um modelo de Previdência única no País. O desenho de reforma que vai vingar vai ter essa cara, igual para todo mundo, acho que vai ter um benefício básico, igual para todo mundo”, afirmou. “Mas não vai acontecer da noite para o dia, a briga vai ser no Congresso”, previu. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.