Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Para as fabricantes de TV, a Copa já começou

A um ano do mundial, empresas travam guerra de marketing para atrair clientes

Bianca Pinto Lima e Nayara Fraga, de O Estado de S. Paulo,

22 de julho de 2013 | 02h15

A 325 dias da Copa do Mundo, um dos eventos esportivos que mais impulsionam a venda de televisões no mundo, as empresas do setor travam uma batalha no campo do marketing. Os números da última edição, realizada na África do Sul em 2010, justificam a corrida para atrair consumidores.

 

 No segundo trimestre daquele ano, foram vendidos no Brasil 52% mais aparelhos do que nos três meses anteriores - o maior pico entre 2009 e 2011, segundo a consultoria GfK. Agora, com a realização do evento no País, as perspectivas são ainda mais ambiciosas.

Para vender as TVs superpotentes (que têm recursos cada vez mais parecidos com os vistos em filmes de ficção), as marcas estão investindo em campanhas vultosas. O uso da imagem de celebridades e craques do futebol, como Neymar e Ganso, é a principal tática para transmitir a mensagem da TV inovadora e veloz.

Os valores investidos nas ações de marketing não são revelados pelas companhias. Mas a aposta da Sony, patrocinadora oficial da Copa, dá a dimensão do empenho do setor. A japonesa dobrou o valor destinado à divulgação de seus aparelhos em 2013 em relação ao ano anterior. O aporte faz parte do seu plano de investimentos de R$ 500 milhões no Brasil para o período entre 2012 e 2014.

A aposta da empresa é no novo momento em que se encontra o consumidor brasileiro, cada vez mais conectado e em busca de interação - um reflexo do uso intenso das redes sociais. Se em 2010 a grande mudança foi a transição da TV de tubo para a de tela plana, agora a busca é por imagem de cinema em telas mais finas do que um iPhone 5. Conexão à internet também tornou-se uma exigência. Já neste ano essas TVs (chamadas de conectadas ou inteligentes) deverão representar 60% dos 15 milhões de aparelhos vendidos pela indústria no varejo, segundo a Eletros, que representa os fabricantes de eletrônicos.

A Panasonic, que assim como a Sony luta contra a forte concorrência das sul-coreanas, pretende garantir sua fatia com a ajuda de Neymar. A empresa renovou na semana passada o contrato global de publicidade com o atacante, considerado pela revista SportsPro o esportista que mais tem potencial de gerar ganhos para uma marca no mundo.

"Descobrimos que a marca Panasonic transmitia confiança, mas era vista como conservadora. Então reforçamos a imagem de juventude e velocidade", diz o diretor de comunicação da Panasonic, Takumi Kajisha, ao explicar por que a empresa escolheu o jogador brasileiro. O executivo afirma que desde 2010, quando foi assinado o primeiro contrato com o craque, o índice de preferência pela marca triplicou no Brasil.

Futebol. Já a Samsung escolheu Ganso como garoto-propaganda. Além de ser a estrela nos anúncios, o perfil oficial do jogador no Twitter é acompanhado do nome da empresa (@SamsungPHGanso). O investimento está em linha com a estratégia global da companhia, que gastou mais com marketing no ano passado do que com inovação: foram US$ 11,6 bilhões - US$ 1,3 bilhão a mais do que o destinado a pesquisa e desenvolvimento.

A imagem do jogador fisga o consumidor. O passo seguinte é ensinar o que fazem as TVs do tipo "smart". Segundo a Samsung, nos pontos de venda, há consultores para explicar os inúmeros recursos das televisões, que hoje funcionam praticamente como computadores.

O diretor de negócios da GfK, Alex Ivanov, acredita que essa dificuldade, no entanto, tende a ser minimizada. "Muitos dos recursos dessas novas TVs são semelhantes aos dos smartphones, cada vez mais presentes na vida do brasileiro."

A LG, líder no mercado nacional de TVs, com 28,8% de participação, procurou justamente educar os consumidores em sua última campanha. Uma das peças mostra que a comemoração de um gol com uma "smart" TV é diferente: você grita "goool" e automaticamente a mensagem aparece na tela. Aí é só compartilhar com os amigos nas redes sociais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.