Marcos Arcoverde|Estadão
Marcos Arcoverde|Estadão

Para atingir meta de dívida, Vale tenta fechar venda de ativo até o fim do ano

Em Londres, presidente da mineradora voltou a afirmar que companhia espera reduzir sua dívida para um valor entre US$ 15 bi a US$ 17 bi até dezembro de 2017

Fernanda Guimarães com agências internacionais, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2016 | 05h00

Em meio à pressão pela troca de comando na companhia e à crise da Samarco, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, voltou a afirmar ontem, durante uma conferência realizada pela a agência “Bloomberg”, em Londres, que a companhia planeja reduzir sua dívida líquida para um valor entre US$ 15 bilhões a US$ 17 bilhões até o fim de 2017.

Para atingir o objetivo, a mineradora tenta agilizar as negociações para a venda da sua divisão de fertilizantes, que teve o aval do conselho de administração da companhia na semana passada, e deverá ser formalizada dentro de um mês, segundo apurou o Broadcast, sistema de notícia em tempo real do Grupo Estado.

Embora a mineradora não tenha anunciado formalmente que vai se desfazer da divisão, Ferreira afirmou, na semana passada, que a companhia não está em posição de “descartar qualquer alternativa”, tendo em vista a meta de redução de endividamento que, no terceiro trimestre, totalizava US$ 25,9 bilhões. A estratégia da Vale é chegar à meta por meio da venda de ativos e de fluxos de caixa sustentados pelos preços do minério de ferro e do níquel.

De acordo com fontes do setor, a companhia poderá vender sua divisão de fertilizantes para a gigante americana Mosaic, por cerca de US$ 3 bilhões. Essa transação incluiria troca de ações e dinheiro, ainda conforme fontes. Uma outra área do negócio, concentrada no Brasil, iria para a norueguesa Yara, por cerca de US$ 500 milhões.

Produção menor. Assim como suas principais concorrentes, a Vale foi duramente atingida pela forte queda dos preços das commodities no ano passado. A crise para a mineradora ficou mais aguda com o rompimento de uma barragem na Samarco, empresa da qual é sócia junto com a BHP Billiton. A empresa não está operando e corre sério riscos de entrar com pedido de recuperação judicial.

Em meio ao gerenciamento dessa crise, a Vale está focada em gerar lucro se concentrando nas margens, em detrimento do volume de produção. Depois de reduzir algumas metas de produção para 2017, a companhia pode cortar entre 20 milhões de toneladas e 25 milhões de toneladas a oferta de minério de ferro das operações brasileiras no Sudeste, se for necessário, disse ontem Ferreira na conferência.

O executivo, que foi para Londres para um encontro com o presidente da BHP para discutir o futuro da Samarco, afirmou também que continua otimista com as perspectivas para os mercados do minério de ferro e do níquel, que recuperaram parte de seus preços nos últimos meses. O otimismo é mais comedido em relação ao cobre.

Sobre o minério de ferro, Ferreira explicou que o nível de esgotamento de minas é extremamente alto” e que os recursos da matéria-prima vão se esgotar em 4%, enquanto os de seus concorrentes entre 15% a 17%, nos próximos sete anos.

Ele também afirmou que espera que a empresa gere fluxo de caixa livre positivo em 2016 e 2017, independentemente do programa de desinvestimento.

“Podemos até mesmo reduzir o tamanho dos desinvestimentos, porque estamos mais otimistas quanto ao preço do minério de ferro e do níquel.”

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