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Para atrair clientes, empresas de turismo 'seguram' o dólar em pacotes

Operadoras adotam câmbio fixo e vendem pacotes com desconto na cotação do dólar, que subiu 70% nos últimos 12 meses e já é vendido a R$ 4 nas casas de câmbio

Yolanda Fordelone e Natália Cacioli, O Estado de S. Paulo

03 Setembro 2015 | 15h44

SÃO PAULO - A escalada do dólar nos últimos meses assustou não só os turistas como também as empresas de turismo. Em um ano, a moeda americana avançou, nada mais nada menos, que 70%. Para não perder clientes, algumas delas têm adotado "promoções", como a adoção do câmbio fixo ou mesmo a venda de pacotes com desconto no dólar. 

Nesta quinta-feira, o dólar comercial chegou a ser negociado por R$ 3,81. Para o turista, a moeda em geral é vendida com um acréscimo de R$ 0,10 a R$ 0,20. Ou seja, pode chegar a aproximadamente R$ 4.

Na agência de viagens Stella Barros, porém, dois pacotes para o Chile são negociados por R$ 3,25. O "câmbio congelado" vale até o dia 17 de setembro. O objetivo é fazer com que o cliente consiga se planejar melhor para a viagem sem sofrer a variação cambial. O primeiro roteiro tem como destino Santiago, o que inclui passeios históricos e a gastronomia local. O segundo pacote inclui passeios na capital chilena e nas cidades litorâneas de Valparaíso e Viña del Mar. Os dois roteiros da Stella Barros incluem hospedagem, passagem aérea e traslados e custam entre US$ 581 e US$ 829 durante o período da promoção. 

A MSC Cruzeiros também adotou, desde 10 de agosto, uma política de câmbio fixo para todos os seus destinos. Os pacotes da operadora são vendidos com o dólar a R$ 2,99, incluindo taxas e serviços dentro dos navios. A agência Marítimos, que vende pacotes de cruzeiro de várias empresas, disse que a procura pelos roteiros da MSC aumentaram com a promoção e que, atualmente, 90% do total das vendas da agência são para os navios da operadora.

"O setor de turismo como um todo está fazendo promoções para atrair clientes. Então vale a pena pesquisar, porque viajar pelo Brasil também está caro", diz a supervisora de atendimento da Marítimos, Isabel Souza.

Veja aqui outras promoções para a temporada de cruzeiros.

Dólar com desconto. No caso da CVC, o câmbio dos pacotes internacionais não está fixo, mas oferece um grande desconto. Nesta quinta-feira, por exemplo, quando o preço normal do dólar seria R$ 3,88, a empresa adotava R$ 3,33 para todos os destinos. No circuito europeu, a cotação era de R$ 3,38. O câmbio promocional vale para os pacotes internacionais que incluam aéreo e terrestre e para cursos no exterior. Não há desconto no caso de locação de carros, cruzeiros, seguro viagem e ingressos.

Segundo a CVC, a prática do câmbio reduzido tem sido adotada em certos momentos do mercado há três anos, devido à negociação com fornecedores dos serviços. Desde o começo de agosto, porém, a empresa retomou o incentivo com mais afinco. 

A promoção deve continuar até o final do ano e ser retomada no ano que vem, pois não há previsão de término. A empresa afirma ainda que pode, em certas situações, voltar a congelar o câmbio. Na última vez em que fez isso, entre 7 e 11 de agosto, congelou o dólar em R$ 2,99. Tudo isso para estimular a venda dos pacotes internacionais, que historicamente representam 40% das vendas. No primeiro semestre a participação desta área recuou para 35% e talvez até dezembro perca mais espaço já que no verão os turistas optam mais por viajar pelo Brasil. 

O Estado também consultou algumas corretoras, mas, por enquanto, não há descontos expressivos. A corretora Cotação oferece um desconto de 1% na taxa se a compra for feita via internet. Nesta quinta-feira, por exemplo, na loja o dólar estava R$ 3,97 e na internet, R$ 3,95. 

Em geral, a cotação praticada pelas corretoras consultadas varia entre R$ 3,90 e R$ 4. Algumas prometem fazer saldões de venda até o fim do ano, mas até lá o jeito é pesquisar preços e fazer comparações. "Sugiro três coisas: dividir a compra para fazer um preço médio em vez de tentar acertar o melhor momento do dólar; trocar o cartão de crédito pelo pré-pago para saber exatamente quanto irá pagar e, por último, levar a moeda do país de destino. Se for pra Austrália, por exemplo, já comprar dólar australiano", diz o diretor da Cotação, Alexandre Fialho.

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