Para atrair recursos, Brasil foi favorecido pelo cenário externo

Segundo analistas, as condições econômicas internas também desempenharam seu papel

Cláudia Ribeiro, do Estadão.com.br,

28 de novembro de 2007 | 18h47

O Brasil deve chegar ao final do ano com um volume recorde de investimentos estrangeiros no País. Para se ter uma idéia, o total deve superar o acumulado no ano das privatizações. Segundo economistas, o cenário externo favorável foi essencial para esta conquista. Além disso, as condições econômicas internas também desempenharam seu papel. Eles alertam, contudo, que os investimentos estrangeiros podem sofrer uma retração, caso a economia dos Estados Unidos passe por uma recessão. Veja também: Áudio da entrevista O País acumula US$ 32,1 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2007 até outubro. A expectativa do governo é que este valor chegue a US$ 35 bilhões até o final do ano. Este total vai superar o total conseguido em 2000, de US$ 32,779 bilhões, recorde da série histórica até agora. De acordo com o ex-diretor do Banco Central e sócio da MCM Consultores José Júlio Senna, entre 1980 e 2002, a média anual de crescimento mundial foi de 3,3%. Nos anos seguintes, esta taxa pulou para 4,9%. "Isso trouxe benefícios para todos os emergentes, inclusive o Brasil. Exemplo disso é que as exportações brasileiras passaram de US$ 70 bilhões para US$ 175 bilhões", explica. O aumento de dólares com a venda de produtos brasileiros ao exterior provocou uma melhora das contas externas do País. O resultado disso, foi uma maior solvência da economia brasileira. Ou seja, o País ficou mais atrativo para o investidor estrangeiro. Ele cita ainda outros fatores que motivaram a entrada de recursos, como o pagamento da dívida junto ao Fundo Monetário internacional (FMI) e o controle da inflação. Luiz Gonzaga Belluzzo, professor do Instituto de Economia (IE) da Unicamp, destaca que, entre os emergentes da América Latina, o Brasil foi o país que melhor aproveitou as condições econômicas mundiais, de alta liquidez (volume de negócios) e pouca oscilação. "O País superou suas dificuldades internas, fez o controle da inflação e organizou suas contas. Ficou melhor."  Expectativas Senna esclarece que uma retração nas exportações, provocada por uma possível desaceleração da economia mundial, muda o resultado das contas externas do País. Mas para ele isso não representará uma deterioração. "É apenas uma piora", afirma. Belluzzo avalia que, apesar dos avanços econômicos do País, o Brasil não está imune aos efeitos de uma desaceleração na economia norte-americana. "Se quiser continuar atraindo recursos, terá que oferecer mais juros para compensar o risco do momento. O Brasil terá que ser cautela, mas é certo que precisará responder às demandas dos investidores", afirma.

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