Para avançar em inovação, Brasil precisa de ajustes

O Brasil dispõe hoje de uma situação peculiar em relação à pesquisa e inovação. De um lado tem um sistema universitário e um nível de produção científica bastante avançados. De outro, apresenta índices muito baixos de inovação nas empresas, refletido no baixo número de patentes e na baixa presença de cientistas nas empresas. Diante desse quadro, o desafio é entender por que uma boa produção de conhecimento não está gerando uma dinâmica de inovação nas empresas. Alguns pontos podem ajudar a responder esse dilema.

Ricardo Sennes, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2011 | 00h00

Primeiro, a inovação deve ser entendida e incentivada como parte da estratégia de negócios das empresas. São elas as principais responsáveis por inovação, que não é fruto de projetos universitários nem de filantropia governamental. Ela só ocorre de forma sistemática quando incorporada ao modelo de negócio das empresas e com clara expectativa de retorno. No Brasil, nem sempre se leva em conta a viabilidade econômica dos projetos a serem incentivados.

O segundo ponto é que as empresas se engajam em inovação por pressão da concorrência, em geral, internacional. Não existe empresa que inove para o mercado doméstico. É por isso que há enorme correlação entre empresas mais inovadoras e mais internacionalizadas, incluindo o caso brasileiro.

A terceira dimensão é que inovação ocorre em geral em cadeias globalizadas ou em parcerias internacionais. É cada vez mais raro projetos de inovações totalmente desenvolvidos numa mesma instituição ou país. Seja por custos, oportunidades ou prazos, as empresas têm buscado parcerias externas, incorporando avanços já existentes. É fazer parte dessa rede dinâmica que o Brasil deve almejar. Tende a ser um grande limitante para os projetos incentivados no Brasil exigir que sejam desenvolvidos integralmente no País.

Em síntese, o Brasil dispõe de ótimas condições para avançar a passos rápidos no campo da inovação tecnológica vinculada à agregação de valor e à competitividade de nossas empresas. Mas é necessário ainda ajustar algumas políticas e incentivos.

É SÓCIO-DIRETOR DA PROSPECTIVA CONSULTORIA INTERNACIONAL

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