Para Banco Mundial, crescimento não reduzirá desigualdade

O crescimento econômico não será suficiente para reduzir a desigualdade de renda no Brasil, alertou nesta quarta-feira o vice-presidente do Banco Mundial e diretor da instituição no País, o indiano Vinod Thomas. Ele afirmou que o País precisaria crescer a uma taxa três vezes maior do que a China ou a Índia "para promover a mesma redução da pobreza que esses países tem usufruído".Em palestra na Câmara Americana de Comércio do Rio de Janeiro, Thomas acrescentou que "isso mostra que o crescimento da economia é importante, mas não suficiente para reduzir a pobreza, pois é preciso trabalhar também para diminuir a desigualdade de renda".Na sua avaliação, para o Brasil "melhorar a qualidade de vida dos pobres" será preciso avançar na eqüidade da renda, aumentar a competitividade e garantir a sustentabilidade ambiental. Dos 51 projetos financiados pelo Banco Mundial atualmente em curso no País, 22 estão na área ambiental. Thomas lembrou ainda que o Brasil destina o equivalente a 18% do PIB para o social e disse que os recursos devem ser aplicados com mais eficiência.Otimismo Apesar de apontar esses problemas, Thomas considerou muito importantes os avanços nos "fundamentos econômicos" no Brasil nos últimos dois anos. "O que falta são reformas micro, melhorar as condições para investimentos do setor privado, para chegar a um crescimento econômico mais alto e também com mais qualidade, mais inclusivo", disse.Questionado pelos participantes do evento na Câmara Americana se não estaria sendo muito otimista ao ver para a economia brasileira um futuro melhor do que o previsto para o leste da Ásia, Thomas respondeu que "os investimentos dependem de potencialidades", e que o Brasil dispõe desse potencial. Thomas acredita em crescimento de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano e avalia que esse porcentual poderá vir a ser ainda maior em anos posteriores. "O Brasil pode crescer 6%, 7%, mas se isso ocorrer sem qualidade, sem igualdade, não será sustentável", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.