Para Barclays, rating do Brasil está ameaçado

Banco britânico diz que, com baixo crescimento da economia e deterioração fiscal, nota de risco do País pode ser reduzida até o início de 2014

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2013 | 02h06

Uma combinação de baixo crescimento econômico e deterioração fiscal pode levar o Brasil a ser rebaixado pelas agências de classificação de risco até o começo de 2014, segundo previsão do banco britânico Barclays. A instituição reduziu novamente ontem as previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, para 2,3% este ano e 2,7% em 2014.

A previsão anterior do Barclays era de que o País fosse crescer 2,5% este ano e 3,5% no próximo. A justificativa para a nova redução é a expectativa agora de um consumo crescendo pouco e atividade industrial andando "de lado".

A postura mais firme do Banco Central, que elevou os juros em 0,5 ponto porcentual na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em maio, para combater a inflação, foi bem-vinda, mas não é suficiente para melhorar o ambiente econômico, de acordo com a avaliação do Barclays. Apenas uma estratégia de maior austeridade fiscal ajudaria a evitar um rebaixamento do rating soberano brasileiro e a trazer de volta o investidor estrangeiro, avaliam os economistas do banco Guilherme Loureiro e Marcelo Salomon em um relatório divulgado ontem.

Impacto. Com um eventual rebaixamento em um nível no rating brasileiro, o País ainda continuaria sendo classificado como "grau de investimento", mas teria algumas consequências imediatas, incluindo um estresse no mercado financeiro.

Recentemente, a agência de classificação de risco Standard and Poor's (S&P) revisou de estável para negativa a perspectiva do rating brasileiro.

O Barclays prevê que, se um rebaixamento realmente vier a ocorrer, o real continuaria sob pressão e o prêmio de risco pago nos derivativos para proteção de calotes dos títulos soberanos emitidos pelo Brasil (os chamados CDS) subiria.

"O crescimento econômico não decola e a inflação permanece alta", destaca o relatório. A alta dos preços, ao comprometer o poder de compra das famílias - e afetando, desta forma, a popularidade da presidente Dilma Rousseff -, fez o governo priorizar o combate à inflação.

O Barclays revisou a previsão de alta da taxa básica de juros da economia e agora espera a Selic em 9,25% em outubro, o que equivale a mais duas altas de 0,50 ponto nos juros e outra de 0,25.

Se a política monetária ficou mais amigável ao mercado, o mesmo não ocorre pelo lado fiscal, e o Barclays espera que a situação piore. Em meio às eleições presidenciais de 2014, será muito mais complicado um controle de gastos públicos, destacam os economistas. Por isso, o banco britânico reduziu as projeções de superávit primário para 2013 e 2014. Neste ano, baixou de 1,7% para 1,4% do PIB e para o próximo, de 1,6% para 1,1%.

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