André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Para BC, expansão da economia em 2015 será inferior ao potencial

Ata do Copom afirmou que o investimento tem caído, influenciado por eventos não econômicos, e que o consumo privado mostra sinais de moderação

Adriana Fernandes, Célia Froufe e Victor Martins, O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2015 | 09h49

BRASÍLIA - O Banco Central reiterou em ata do Copom que o ritmo de expansão da atividade doméstica neste ano será inferior ao potencial. Os diretores da autoridade monetária também enfatizaram no parágrafo 24 do documento que os indicadores disponíveis sobre as taxas de crescimento da absorção interna e do Produto Interno Bruto (PIB) se alinharam. "Em particular, o investimento tem-se retraído, influenciado, principalmente, pela ocorrência de eventos não econômicos, e o consumo privado mostra sinais de moderação", escreveram. 

No mesmo trecho, o comitê voltou a enfatizar que, depois de um período necessário de ajustes, o ritmo de atividade tende a se intensificar. Mais uma vez, o Copom diz acreditar que isso ocorrerá na medida em que a confiança de firmas e famílias se fortaleça. No médio prazo, a avaliação é a de que mudanças importantes devem ocorrer na composição da demanda e da oferta agregada. "O consumo tende a crescer em ritmo moderado e os investimentos tendem a ganhar impulso", disseram os membros do comitê. 

Essas mudanças, de acordo com eles, antecipam uma composição do crescimento da demanda agregada no médio prazo mais favorável ao crescimento potencial. Isso, levando em conta outras mudanças que já estão em curso, segundo o documento. 

Exterior. Sobre o componente externo da demanda agregada, a ata voltou a ressaltar que o cenário de maior crescimento global, combinado com a depreciação do real, ajuda a tornar mais favorável o crescimento da economia brasileira. "Pelo lado da oferta, o Comitê avalia que, em prazos mais longos, emergem perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria e da agropecuária", pontuaram os diretores. 

O setor de serviços, para a diretoria do BC, tende a crescer a taxas menores do que as registradas em anos recentes. "Para o Comitê, é plausível afirmar que esses desenvolvimentos - somados a avanços na qualificação da mão de obra e ao programa de concessão de serviços públicos - traduzir-se-ão numa alocação mais eficiente dos fatores de produção da economia e em ganhos de produtividade."

 O Banco Central colocou um pouco mais de dúvidas sobre o comportamento do mercado internacional. No documento, o Copom considera que, desde sua última reunião, permaneceram elevados os riscos para a estabilidade financeira global. Como exemplo, citou os derivados de mudanças na inclinação da curva de juros em importantes economias maduras. 

Apesar de identificar baixa probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais, o colegiado pondera no parágrafo 22 que o ambiente externo permanece complexo, como já vinha tratando nas edições anteriores da ata. Desta vez, no entanto, acrescentou serem "possíveis episódios de maior volatilidade". De qualquer forma, para o comitê, prevalece a tendência de atividade global mais intensa ao longo do horizonte relevante para a política monetária. 

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